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Primeiro Mandato 1971 a 1979 – O Grupo Reformador

Em maio de 1970, José Sarney renunciou ao governo — como exigia a lei eleitoral — para disputar uma cadeira no Senado Federal.

A chapa de Sarney com Alexandre Costa foi amplamente vitoriosa, numa eleição em que teve quase o dobro dos votos de seu adversário. Sarney foi eleito senador pelo Maranhão, com 236.618 votos, e assumiu o mandato em janeiro de 1971.

No Congresso, a situação de grande contestação à legitimidade das eleições continuava, inclusive por parte dos eleitos pelo MDB, o partido de oposição — os partidos haviam sido dissolvidos e havia sido imposto um bipartidarismo, com a Arena como partido da situação.

No Senado, dois líderes de oposição se afirmavam num combate diuturno e veemente: Paulo Brossard e Marcos Freire. Os políticos do Rio Grande do Sul e de Pernambuco e o político do Maranhão travaram, durante vários anos, um embate que marcou a história do Senado e terminaria com o gaúcho sendo ministro da Justiça e o pernambucano ministro da Reforma Agrária do presidente maranhense.
Sarney sugeriu que fosse criado no Congresso um centro de Estudos Políticos e Administrativos, uma espécie de central de informações da Casa. Na visão dele, restara aos políticos a função de ajudar, “mas ajudar com a cabeça e não com os pés”.

Como senador, José Sarney também se manifestou contra as grandes alterações que eram introduzidas na Constituição, sobretudo nas atribuições e na autonomia do Poder Legislativo.

Desde o primeiro momento no Senado Federal José Sarney engajou-se no movimento contra o AI-5 e a Emenda nº 1. A recuperação da plenitude do regime democrático era seu objetivo. Não acreditava que isto fosse conseguido no grito das tribunas ou na luta armada, alternativas que pareciam ser as únicas existentes no momento.

Senador José Sarney com Prisco Viana

Senador José Sarney com Prisco Viana, Marchezam, Petrônio e Passarinho. Foto: Arquivo Pessoal

 A oposição trabalhava na luz dos holofotes, protestando. Mas havia um silencioso trabalho de bastidores, menos glorioso, igualmente necessário. Neste trabalho, Sarney encontrou muitos aliados, alguns vindos dos quadros da velha UDN, como Daniel Krieger e Petrônio Portela. Eles defenderam a transitoriedade do AI-5 e do próprio movimento de 64. Ainda em 1971, José Sarney se manifestou sobre um projeto político para o Brasil:

“A opção do Brasil está tomada: a democracia representativa republicana. O AI-5 é uma transição imposta pelas circunstâncias que será ultrapassada, porque a nossa vocação é a favor dos valores da democracia.”

Ou, falando sobre partidos políticos:

“…a necessidade que temos de todo o país participar na restauração da vida partidária, tão urgente e tão imprescindível quanto o plano de eletrificação, o plano de estradas e o plano de siderurgia, porque nada disto se faz sem uma estrutura política permanente…”

Sarney utilizava a defesa da abertura para estabelecer com a oposição um tipo de debate que desarmava os radicais do próprio governo, porque o defendia com argumentos e não com ameaças aos adversários e discordantes. Ao mesmo tempo, comprometia o governo com a liberalização, já que dizia abertamente que o arbítrio era indefensável. Assim, enquanto defendia, contestava, contribuindo para criar zonas de entendimento com a oposição.

 

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