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O martírio de Tancredo Neves

Operado na madrugada de 14 para 15 de março de 1985, Tancredo Neves não se recuperou rapidamente, frustrando a expectativa de toda a população brasileira. Seu estado se agravou. Anunciou-se que foi encontrada uma diverticulite. Tratava-se na verdade de um tumor, que foi extraído. Os problemas surgiram no quadro pulmonar e com uma hemorragia intestinal. Tancredo foi transferido para o Incor, em São Paulo. Num gesto insensato, fizeram-no posar para uma foto que, retocada para retirar um enfermeiro e o soro fisiológico, deveria testemunhar sua recuperação. Submeteram-no a 7 cirurgias. Na porta do hospital uma multidão se manteve em vigília.

Desse período foi a última carta de Tancredo, onde comentou a atuação de Sarney na Presidência da República:

“A Nação está registrando o exemplo de irrepreensível correção moral que o prezado amigo lhe transmite no exercício da Presidência da República.

Na política, o exemplo é mais importante que o discurso. O discurso é efêmero pela sua própria natureza. O seu efeito termina com a leitura e sua divulgação, por mais eloqüente e oportuno que seja ele. O exemplo, ao contrário, contribui para a construção ética da consciência do nosso povo que, na solidariedade que tem demonstrado, tem me dado forças para superar estes momentos. O seu exemplo, presidente Sarney, ficará memorável em nossa História.”

Em 17 de abril, o presidente interino visitou o presidente eleito, em São Paulo. Os médicos não lhe disseram a verdade: a sucessão de erros médicos no tratamento de um tumor benigno e uma infecção generalizada haviam instalado um quadro irreversível. Na noite de 21 de abril encerrou-se a agonia.

 

morte de tancredo neves

O corpo de Tancredo Neves é transportado em um tanque de guerra pelo Eixo Monumental de Brasília. Foto: Arquivo pessoal.

 

Sarney falou à nação:

“Aqui estou, meus compatriotas, sob o peso de um instante que não pedi e não desejei. Tenho a consciência de minhas responsabilidades e a humildade de dizer que preciso ser ajudado por todos, e a todos peço ajuda.

Serei maior que eu mesmo neste desafio que a História me entregou.

Humildemente, só vos posso oferecer, neste instante, determinação, coragem e trabalho. Com dignidade, honra e responsabilidade.”

Em 22 de abril de 1985, o Congresso Nacional declarou vago o cargo de presidente da República e nele efetivou-se o vice-presidente e presidente interino.

Sarney assume a Presidência

Eleito vice-presidente em 1985, Sarney foi comunicado às três horas da manhã do dia da posse, que assumiria a Presidência da República no lugar de Tancredo, que estava internado em um hospital de Brasília.

“Qualquer pessoa ser presidente da República, na transição democrática, em que os militares eram muito fortes, eu de um estado pequeno, sem grupos econômicos para me apoiar, sem partido, tudo levava a crer que eu seria um presidente para entrar e ser deposto”, relembra Sarney.

 

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