URSS

Em 1988, Sarney é o primeiro presidente brasileiro a visitar a União Soviética. A visita inaugura uma nova fase nas relações diplomáticas entre os dois países. Em um jantar oferecido por Gorbachev,  Sarney fez um discurso que balizou o novo tom de cooperação entre os dois países. Sarney destacou que as relações brasileiro-soviéticas, libertas de preconceitos ideológicos, poderiam ser desenvolvidas amplamente com proveito mútuo.

No discurso, Sarney lembrou o processo de abertura da URSS:

“Nestes últimos anos, Vossa Excelência tem promovido não só uma impressionante e arrojada política de reconstrução em seu país — o que tornou a Perestroika conhecida

em todo o mundo —, mas também tem dado indiscutíveis provas de criatividade no plano internacional.

Sob sua liderança, a União Soviética vem apresentando propostas visando à construção da paz, à renovação da ordem internacional e à solução das controvérsias entre os Estados, que constituem uma das molas mestras da política contemporânea…

Por longo tempo, porém, a história nos afastou. Assim determinaram circunstâncias políticas em um e outro país; como também as realidades de um mundo dominado por tensões e radicalismos ideológicos. Este mundo, senhor Presidente, está acabando.

 

SARNEY URSS

Visita à União Soviética. Recebido por Mikail Gorbachev e Eduard Shevardnaze. Ao lado de Sarney, o canceler Abreu Sodré e o ministro Bayma Dennis. Foto: Gervásio Batista

Damo-nos conta da irracionalidade de uma confrontação que jamais poderá ter vencedores. Estamos superando os temores, as desconfianças que empobreceram por tanto tempo o panorama internacional, reduziram os espaços de cooperação e conduziram o mundo a riscos inaceitáveis. Novas realidades, novas mentalidades, parecem pouco a pouco prevalecer. Ventos de mudança sopram no mundo. O Brasil, na plenitude de sua vontade democrática, está preparado para desempenhar o papel que lhe compete nestes novos tempos”

Com a visita a União Soviética, o presidente José Sarney reafirmou os passos implantados desde o inicio de seu governo de buscar uma política externa independente baseada na diplomacia multilateral. Estudioso da política externa adotada na Nova República, o diplomata Octávio Côrtes destaca:

“ Sarney foi além, incorporando a então democracia consolidada ao conjunto de valores da política externa brasileira, o que permitiu o início da reformulação da inserção internacional do Brasil”. O governo da Nova República, continua o diplomata, “ pautou-se com uma forma inovadora de condução da política externa do país, utilizando plenamente os quadros profissionais do Itamaraty, e colocando sua função de primeiro mandatário inteiramente a serviço dos interesses da nação”. A estratégia adotada viabilizou resultados práticos, que repercutem no Brasil de hoje.

 

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