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Estados Unidos

A política externa brasileira em relação aos Estados Unidos foi marcada por posições duras adotadas pelo governo brasileiro. O regime democrático deu nova dimensão as relações bilaterais entre os dois países.

No primeiro ano de seu governo, o presidente Sarney foi surpreendido com a notícia de que o governo norte-americano havia anunciado o início de uma investigação sobre a lei de reserva de mercado para o setor de informática que contrariava seus interesses. Em decorrência, os EUA ameaçaram com retaliações comerciais da ordem de US$ 105 milhões. A questão somente seria resolvida com a visita à Brasília do secretário de Estado norte-americano, George Shultz, e a ida a Washington do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima.

 

Sarney e George Bush

Com o presidente americano, George Bush. Foto: Arquivo pessoal

Em setembro de 1986, o presidente Sarney iniciou uma visita de quatro dias aos EUA. Na recepção a seu colega brasileiro, o presidente Reagan afirmou que o Brasil deveria praticar um comércio “livre” e “leal”. Sarney, por sua vez, abordou num dos principais problemas do Brasil: a dívida externa.

Em entrevista coletiva no National Press Club, em Washington, Sarney afirmou  que a meta do Brasil era destinar apenas 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) ao pagamento da dívida externa, “Isso não significa uma posição de confronto”, afirma o Presidente.

“Eu tenho dito e vou repetir aqui que a maior dívida do Brasil não é a dívida externa, é a dívida social e a dívida moral que todos nós temos com o povo brasileiro. Mas se falo de um País que tem problemas, digo de uma Nação que reúne todas as condições para dar um salto definitivo rumo a um padrão de desenvolvimento que significará o êxito do próprio sistema da vida ocidental, numa etapa posterior a mais grave crise, como eu disse, que nós já tínhamos passado.”

Em discurso no Congresso Americano Sarney disse:

“A América Latina não pode sobreviver com a miséria dos salários de 25 dólares por mês. Dessa criminosa injustiça nascem o caldeirão social, a revolta, a sedução da violência. Temos proposto insistentemente, nos foros apropria dos, um esforço conjunto de credores e devedores. Os spreads elevados que os bancos cobram e o alto nível das taxas de juros reais impedem os países devedores de crescer e, assim, de verem reforçada sua capacidade de pagamento. A instabilidade dos juros e as flutuações do câmbio os impedem de planejar seu desenvolvimento econômico e social, já que não podem estimar a quanto montarão seus compromissos financeiros e suas disponibilidades sequer no semestre seguinte, quanto mais no ano seguinte.

É indispensável promover um entendimento entre os líderes de países credores e devedores, para reduzir o montante dos pagamentos atualmente desembolsados. Assim, os segundos poderão voltar a absorver mais mercadorias dos primeiros, contribuindo com seu próprio crescimento para o relançamento e a normalização da economia mundial. De nossa parte, continuamos prontos a engajar-nos nessa empreitada conjunta. Mas não podemos esperar até que seja tarde demais. Temos instado nossos parceiros dos países industrializados a empreendermos juntos, e desde já, esse esforço em prol da saúde e estabilidade financeiras do mundo ocidental.”

Outra divergência marcou o relacionamento da Nova República com os Estados Unidos: os contenciosos comerciais sobre as exportações brasileiras, principalmente nas áreas de informática, e a produção e comercialização de fármacos. Em 1988, o presidente Reagan acusou o Brasil de prática “desleal” e aplicou tarifa ad valorem de 100% sobre as exportações brasileiras de papéis, produtos químicos e artigos eletrônicos, até o limite de US$ 39 milhões. Esse problema somou-se ao ambiente negativo criado por Washington com as restrições comerciais impostas a produtos brasileiros ainda no governo Figueiredo. Dessa forma, as autoridades norte-americanas limitaram às esferas técnicas o tratamento das questões comerciais e financeiras com o Brasil.

Em outra questão, a diplomacia brasileira também deixou claro a discordância quanto à política centro-americana, em especial no que se refere ao regime sandinista na Nicarágua e à instabilidade em El Salvador.

 

sarney na Casa Branca

Na Casa Branca, em Washington, os presidentes Sarney e Ronald Reagan com as primeiras-damas Marly e Nancy. Foto: Orlando Brito

Segundo o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima: “ Sarney não hesitou um minuto em tomar medidas audaciosas, era uma relação dificílima com Washington, porque o Brasil passou a atribuir uma importância muito grande às questões comerciais”. Quando Reagan mandou aplicar as sanções contra o Brasil era uma data nacional, 7 de setembro, Sarney deu uma resposta muito dura ao governo americano.

 

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