China

Um dos pontos importantes da política externa brasileira foi a reaproximação com a China. Em 30 de junho de 1988, o presidente Jose Sarney desembarcou em Pequim para um encontro com o presidente , Deng Xiaoping. Na época o volume comercial entre China e Brasil era inferior a US$ 2 bilhões, mas a visita histórica de Sarney marcou a abertura de um novo período entre as duas nações, uma parceria comercial estratégica, que tornou a China o principal destino das exportações brasileiras. Visionários, Sarney e Deng Xiaoping anteviram que Brasil e China teriam papel de destaque no século XXI.

Em discurso durante a visita, Sarney destacou:

“A política de reforma e abertura para o exterior é exemplo de clarividência que a China oferece ao mundo inteiro. É o sinal de uma China que se renova sem perder o sentido de suas tradições.

As distâncias geográficas, a diversidade das culturas e as concepções políticas e sociais não mais podem separar as nações nos dias de hoje. O mundo está libertando-se da ilusão dos modelos autárquicos e fechados. Damo-nos conta de que a força está no enriquecimento mútuo das idéias, na difusão igualitáría do conhecimento científico e tecnológico, no intercâmbio eqüitativo de experiências.

China e Brasil compenetraram-se desse desafio. Queremos aproveitar todas as potencialidades de nosso desenvolvimento, em cooperação franca e desimpedida.

Uma das prioridades de nosso relacionamento é intensificar a cooperação científico-tecnológica. Torna-se fundamental ampliar o intercâmbio das experiências acumuladas pelo Brasil e a China, tanto no plano das tecnologias avançadas, quanto no nível de aplicações científicas mais tradicionais.”

O destaque especial da visita de Sarney a Pequim foi o Acordo sobre Pesquisas e Produção Conjunta do Satélite de Sensoriamento Remoto, que inaugurou o Programa Espacial Sino-brasileiro para lançamento de satélites de rastreamento terrestre. Esse acordo bilateral, que envolveu o INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais) e a Cast (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial), permitiu aos dois países romper o bloqueio das nações desenvolvidas à transferência de tecnologias avançadas. Fruto de acordo inédito de cooperação entre dois países em desenvolvimento, essa parceria resultou no lançamento de um satélite sino-brasileiro, em 1999, e um segundo, em 2003.

 

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