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América Latina

Do mesmo modo em que busca relações especiais com a Argentina, a política externa do governo Sarney também visou o conjunto da América Latina. Em 1985, a caminho de Nova York para a reunião anual da ONU, o presidente promove um desvio da rota e segue para o México. No dia 19 de setembro de 1985, um terrremoto de 8,1 graus na escala Richter sacudiu a Cidade do México e matou mais de doze mil pessoas. Sarney foi pessoalmente prestar solidariedade ao então presidente mexicano De La Madrid.

A visita de Sarney ao México aproximou os dois países e foi fundamental na busca de soluções pacíficas para a crise na América Central. A situação era instável na Nicarágua, chefiada pelo governo sandinista de Daniel Ortega. A partir da revolução sandinista, os Estados Unidos reagiram com embargos econômicos ao país.

Em discurso Sarney falou sobre as peculiaridades da região: “Existem duas Américas: Uma saxônica, rica, de onde saíram os Estados Unidos para cumprir o seu destino de liderança mundial; a outra América é a América Latina, rica e pobre, nada homogênea, com problemas que vão desde os problemas da droga, guerrilha, miséria, violência, construção de estados nacionais (América Central e Caribe) até o México, o único país da região que participa do atual projeto mundial americano, mais por motivos de política interna dos Estados Unidos: a fronteira e a imigração. Por isso mesmo é uma ponte entre as duas Américas, pois dorme ao lado do gigante”

Segundo o diplomata Otávio Cortes, “a opção por uma aproximação mais estreita com o México parece contrabalançar os esforços em andamento na América do Sul de integração da Bacia do Prata e dos vizinhos amazônicos, para promover a conformação de uma verdadeira área latino-americana, capaz de, além de suas vantagens intrínsecas, contrapor-se ou, no mínimo, contrabalançar a influência norte-americana em todo o hemisfério”.

Em julho de 1985, o então chanceler brasileiro Olavo Setúbal se reuniu em Lima, no Peru, com seus colegas argentino, uruguaio e peruano para criar o Grupo de Apoio a Contadora. O México era protagonista do originário Grupo de Contadora, firmado para pacificar a América Central. Por influência da chancelaria brasileira, esse grupo de apoio culminou no ano seguinte, no Rio de Janeiro, com o estabelecimento do Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política, denominado Grupo do Rio.

Patrocinada pela diplomacia brasileira, a iniciativa foi vista pelo presidente Sarney como uma importante fonte de irradiação democrática de apoio às soluções pacíficas na região. A experiência fez o governo da Nova República vislumbrar a possibilidade de uma articulação mais ampla, com um perfil mais latino-americano. O grupo, segundo Octávio Côrtes, incorporou ao longo dos anos os demais países latino-americanos: “O Grupo do Rio tornou-se um foro apropriado para a concertação de posições latino-americanas e caribenhas, tanto em questões regionais, como mundiais”.

 

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