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Plano Cruzado

Quando Sarney chegou a presidência da República, a economia estava numa situação extremamente difícil. O déficit orçamentário chegava a 60%. Pesava também a dívida externa, que, naquele tempo, era impagável.

Logo que assumiu, Sarney procurou nortear as diretrizes de seu governo, buscava se legitimar no cargo para evitar um retrocesso político. Poderia ter o mesmo destino dos presidentes depostos. No terreno da economia, a fórmula apresentada a Sarney foi aquela aplicada em todo o mundo na época, um processo recessivo, de restrições profundas aos investimentos e que levaria a um aumento substancial do desemprego no país.

Sarney não aceitou, considerava essencial não sacrificar os mais pobres e criar desemprego. Secretamente, o presidente Sarney combinou com o ministro do Planejamento, João Sayad, que mandasse a Israel um economista para estudar em profundidade o plano israelense. Pérsio Arida foi o escolhido.

De volta ao Brasil, Arida deu as linhas gerais do plano, que tinha uma dificuldade muito grande: estabelecer um pacto interno no qual as forças políticas sustentariam as consequências do processo de ajuste. Este pacto se revelou inviável, mas o presidente decidiu aplicar o Plano mesmo sem ele. Inicialmente, a equipe econômica baixou um primeiro decreto, de alinhamento de preços —ninguém sabia do que se tratava. Preços e salários foram reajustados linearmente.

 

Sarney Plano Cruzado

Brasileiros elogiam as medidas econômicas do presidente. Foto: Arquivo pessoal

 

Em 1986, na última reunião antes do anúncio do plano, quando todos avaliaram os perigos das medidas, Sarney teve a oportunidade de dizer: “Sei que estou colocando a cabeça na guilhotina, mas vou arriscar porque o povo brasileiro merece que se faça isso.”

Em 28 de fevereiro de 1986, foi lançado o Plano Cruzado, tendo Dílson Funaro no Ministério da Fazenda. A principal medida do pacote, o congelamento de preços por um ano, ganhou apoio total da população. Em rede nacional de rádio e televisão Sarney fez um apelo para que os brasileiros fiscalizassem as metas e os preços dos produtos.

O sucesso do plano foi estrondoso. Formou-se uma coesão nacional. Surgiu a intervenção direta da sociedade na política. Reverteram-se as opiniões sobre o governo. A economia retomou seu crescimento.

Quando 1986 terminou, a capa de uma revista dizia: “Um ano que vai deixar saudades.” Realmente, foi o ano em que houve no Brasil o menor índice de indigência e de pobreza. Nunca o país tinha assistido a isso.

O plano Cruzado previa reajuste automático, por meio de um dispositivo chamado “gatilho salarial” ou “seguro-inflação”, sempre que a inflação alcançasse 20%. Com a economia muito aquecida, houve excesso de demanda. Os juros da economia estavam negativos, algo que desestimulava a poupança e pressionava o consumo. O avanço do consumo em todas as classes sociais pressionou a inflação, mas trouxe uma notícia nunca antes vista no Brasil: o nível de desemprego chegou a 2,16% durante o plano. Nunca mais na história, o país voltou a ter um índice tão baixo de desemprego. A volta da inflação e a perda rápida da popularidade não refletem os resultados econômicos do governo Sarney, que assentam firmemente no Plano Cruzado. Em 1986, por exemplo, o crescimento do PIB foi de 7,49% .

 

Capa Veja
Foi um plano, segundo José Sarney que se preocupava em atender aos mais pobres, por isso, o slogan: “Tudo pelo social.” Se os preços aumentavam, os trabalhadores também tinham o seu salário aumentado no mesmo nível. Isso fez um colchão de proteção aos mais pobres. Os ricos se defendiam da inflação, mas os pobres não tinham como se defender. A única defesa foi esta, a correção mensal dos salários, para que o poder de compra da população brasileira permanecesse o mesmo e os trabalhadores continuassem empregados.

 

Plano Cruzado em Carajás

Reunião de Carajás para discutir o Plano Cruzado. Foto: Arquivo Pessoal

 

População apoia o Plano Cruzado

População apoia o Plano Cruzado. Foto: Arquivo Pessoal

 

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