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A Liberdade – O início da Nova República

Sarney cumpriu serenamente o seu papel de substituto eventual e provisório. Fez questão de ler o discurso de posse que Tancredo havia preparado, nomeou os ministros que Tancredo havia escolhido e assinou os primeiros atos de governo que Tancredo havia programado. Mostrou-se o colaborador competente e discreto que, como prometeu, havia-se preparado para exercer a vice-presidência.

 

José Sarney - Foto: Orlando Brito

José Sarney - Foto: Orlando Brito

Os primeiros momentos da Nova República foram terríveis. Fora a tragédia de Tancredo Neves, duas tarefas acumulam uma carga de dificuldades raras vezes conjugada: de um lado, era preciso instaurar confiança no comando da transição para a democracia plena, cumprir os compromissos explícitos e implícitos assumidos por Tancredo e pela Aliança Democrática; por outro, era  preciso administrar o país, em péssima situação econômica, financeira, social.

Já no dia 28 de março, Sarney  enviou  mensagem ao Congresso Nacional acabando, na prática, com a figura dos “municípios de segurança nacional”, os das capitais e outros, que não elegiam seus prefeitos. Instaurou, também, a plena convivência democrática,  gesto  formalmente demonstrado com a recepção  no Palácio do Planalto, dos líderes comunistas, começando por Roberto Freire, do PCB, e Haroldo Lima, do PC do B. À imprensa é assegurada, pela primeira vez na história do Brasil, absoluta liberdade, inclusive econômica. Acaba a censura. A liberdade de opinião torna-se um fato.

A preocupação de José Sarney era que não se fizesse uma transição traumática, como em Portugal e na Grécia, ou na Argentina, no Uruguai e no Chile. Rompendo os bolsões de pressão, pagando o custo político de 10 mil greves, enfrentando o desgaste de eleições todos os anos, Sarney conseguiu fazer no Brasil a mais bem sucedida das transições democráticas.

 


apio populares Sarney

Nas viagens pelo interior, o presidente recebe apoio de populares. Foto: Orlando Brito

Presidente José Sarney

Presidente José Sarney com o arquiteto Oscar Niemeyer. Foto: Getúlio Gurgel

José Sarney e Ulysses Guimarães

Presidente José Sarney com Ulysses Guimarães. Foto: Orlando Brito

Ferrovia Carajas

Na inauguração da ferrovia de Carajás. Foto: Orlando Brito

José Sarney Brasília.

José Sarney chega ao desfile do 7 de setembro no Rolls-Royce presidencial. Setor Militar Urbano, Brasília. Foto: Orlando Brito

Sarney Palacio do Planalto

No Palácio do Planalto, a manifestação de carinho com as crianças. Foto: Getúlio Gurgel

Sarney

O presidente e seus três ministros militares, Moreira Lima, Leônidas Pires Gonçalves e Henrique Sabóia. Foto: Arquivo pessoal


 

TELEFONE VERMELHO

Sarney relembra do telefone vermelho que ficava em sua mesa no Palácio do Planalto. O aparelho só poderia tocar em situações de emergência. Mas, por várias vezes, o telefone tocou, o presidente sobressaltava-se e corria para atender. “Volta e meia o telefone tocava, era um sujeito achando que estava ligando para um supermercado”, veja o vídeo.

 

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