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Presidente do Senado: 2º Mandato 2003 – 2005

José Sarney foi eleito presidente do Senado pela segunda vez em 1º de fevereiro de 2003, com 76 votos a favor, dois contra e uma abstenção.

Sarney não quis ocupar o novo gabinete, no qual haviam despachado anteriormente Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Ramez Tebet. Preferiu o antigo, de seu tempo no comando da Casa.

A grande característica desse mandato a frente da presidência do Senado foi a aproximação com o presidente Lula. Sarney passou a ser peça chave na interlocução entre Lula e o Congresso. Poder ele tinha, segundo nota na coluna de Elio Gaspari, na Folha:

“José Sarney manda mais no governo de Lula que mandava no dele. Além disso, manda só naquilo de que gosta, sem ter que se preocupar com a opinião de Ulysses Guimrães.”

Sarney comentou:

“Era exagero. Tratávamos dos assuntos normais que existem entre o presidente da Casa e o Executivo, mas eu não mandava nada. Nunca me meti em nada. Sempre tive senso de proporção. Isso só serviu para o PT ficar com raiva do Lula.”

Sobre o apoio a Lula, Sarney disse:

“Quando decidi apoiar Lula, ainda na campanha, o único pedido que lhe fiz foi que restaurasse a distribuição de leite. O programa estava na memória e na saudade do povo brasileiro.”

No fim de 2004, aconteceu a primeira grande crise do governo Lula. O pronunciamento do Presidente Sarney, um discurso que intitulou “Tempo de Crise” foi decisivo para conter os ânimos no Senado Federal e acalmar o cenário político.

Lula sempre demonstrou sua gratidão pelo apoio e pelos esforços de Sarney para ajudar seu governo. Em entrevista ao jornal O Globo, Sarney previu uma longa aliança com o PT e a reeleição de Lula

O clima de tensão no Senado foi quebrado em março por uma cena que começou trágica, mas acabou cômica: o desempregado Edivaldo de Lima Araújo ameaçava pular das galerias do plenário do Senado aos gritos de “Tô passando fome”. De sua cadeira de presidente, sempre atento à liturgia do cargo, Sarney quase suplicou, mas com toda a formalidade do mundo, ao homem em desespero:

“Peço a Vossa Excelência que não pule.”

Edivaldo ainda ameaçou pular, mas passou a gritar elogios a Sarney.

 

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