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Presidente do Senado: 1º mandato 1995 a 1997

Em 1995, Sarney foi eleito presidente do Senado, derrotando o petista Lauro Campos (DF) por 61 votos a 7. A bancada dos partidos de esquerda, quebrando uma tradição, lançara Campos na última hora. Em sua gestão foram criados o Instituto Legislativo Brasileiro – que depois se transformou em universidade, o Serviço de Atendimento ao Cidadão Popular, conhecido como o Alô Senado, assim como a organização de todo o sistema de comunicação do Senado que incluía: a Rádio Senado, o Jornal do Senado, a TV Senado e o Conselho Editorial (a editora do Senado).

Sarney lembra:

Encontrei o Senado com seis meses de atas atrasadas, com gazeteiros, sem critérios para colocar projetos em votação, sem planejamento algum. Eu queria fazer uma reforma política, mas isso dependia do governo e os esforços do Fernando Henrique se concentraram nas mudanças destinadas a viabilizar a reeleição. Desde o início ele não pensava em outra coisa. Esse é o mal da reeleição, o presidente já assume pensando nisso.

No discurso de posse Sarney destacou que era necessário reafirmar o papel do Parlamento. “Estou assumindo esta missão para servir ao Senado, Casa à qual devo a minha formação política. Aqui aprendi a ouvir mais do que a falar, a opinar, a respeitar o direito de discordar…

Como reação, e na esteira dos novos tempos, criou-se no Brasil, não somente instituições formais democráticas, mas uma sociedade e uma democracia participativa e virtual que se derrama num sistema de capilaridade em todo o tecido social, na extraordinária vitalidade dos milhares e milhares de ­associações, federações, clubes, grupos comunitários e corporativos que agregam poder político. A mídia modernizou-se. Os meios de comunicação de massa tomaram um espaço dominante e passaram a ser intermediadores entre o povo e o poder político.

É necessário, neste instante de transformações históricas, salvar o parlamento do desprestígio, recolocá-lo perante a nação no seu intocável lugar de cúpula do sistema democrático, sendo para o povo o seu grande instrumento de igualdade, onde todos passam a questionar os governos, fiscalizá-los, acompanhá-los.”

Dois temas estremeceram as relações entre Senado e Executivo ainda em 1995: a criação do Fundo Social de Emergência e a privatização da mineradora Vale do Rio Doce. Sarney era contrário a ambos os projetos. Na condição de presidente do Senado, temia virar uma espécie de líder informal do governo. Além disso, insistiu em seguir o critério de antiguidade na votação dos projetos.

 

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