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A Campanha de 1965

As oligarquias locais – que se sucediam desde fins do século XIX, mudando o nome dos chefes, mas mantendo o mesmo regime de prepotência e arbitrariedade – demoraram a perceber que tinham pela frente um desafiante jovem, preparado e disposto, que se impunha. Vitorino Freire – que então dominava o Maranhão – sucedia uma longa lista de oligarcas, citados como uma sucessão de reis incontestados: Benedito Leite, Urbano Santos, Marcelino Machado, Magalhães de Almeida, Paulo Ramos. Os próprios e seus prepostos, associados e solidários – pois quando se rebelavam logo eram derrotados – resistiam a tudo. Ninguém, nem nada, nem a Justiça, nem as mudanças de regime no país, nem as trocas de Presidente da República, os abalava. Em conseqüência, o Estado era mantido, vergonhosamente, nos últimos lugares em todos os índices econômicos e sociais.

Sarney Apoiado por Castelo

Apoiado por Castello Branco, com quem tivera uma conversa franca, Jose Sarney  lançou-se na disputa pelo governo do estado. O embate com o vitorinismo, já longamente encetado, era final. A condição essencial para que ele se travasse com alguma chance de vitória era a limpeza das eleições. Seguindo o compromisso assumido, o presidente da república garantiu o trabalho doloroso de completa revisão dos registros eleitorais, a corregedoria anunciou em fevereiro de 1965 as irregularidades mais freqüentes: coincidência entre as assinaturas contidas nas folhas de votação, eleitores inscritos duas vezes em seções diferentes, pessoas com duplo ou triplo domicílio, mesmas fotografias usadas para diferentes eleitores, menores de idade com título.

Os resultados

Os resultados foram espantosos. O número total de eleitores maranhenses caiu de 192 129 para 59 975: para cada 5 eleitores verdadeiros, 11 falsos. (ou de 497 463 para 291 230??? ambos em Buzar, pg. 462, 498)

Na parede do cemitério de São Luís os mortos agradeceram a tranqüilidade.

A eleição se travou sob a proteção, absolutamente necessária, de tropas federais. Disputando com Renato Archer, homologado candidato da coligação PTB—PSD, depois de um longo desafio ao veto vitorinista, e com Costa Rodrigues, prefeito de São Luís, candidato do governador Newton Bello, José Sarney percorreu o Maranhão de ponta a ponta, numa campanha jamais vista de contato direto com a população.

Conhecedor do conjunto do estado desde a infância, o périplo da campanha de 65 serviu no entanto para um conhecimento profundo dos problemas do Maranhão, apreendendo uma realidade amarga. Não haviam estradas, escolas, postos de saúde, agricultura, indústria. A fome e a miséria se espalhavam por todos os cantos, sem exceção. O aparelho do estado praticamente não existia.

A já tradicional coligação UDN—PSP se formou com a presença de Antônio Dino na chapa. A vitória foi esmagadora: Sarney teve 120 mil votos, contra 103 mil dados aos dois outros candidatos.

Num gesto que teria eco no futuro, o governador Newton Bello se recusou a passar a faixa a José Sarney.

 

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