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Governo e o Povo

O Governo e o Povo

O Sonho possível*

 

Este livro é um documentário de ação.

José Sarney fez, na nossa terra, o que nossos maiores não puderam fazer. Mais do que isso: o que eles nem sonharam, nem ao menos ousaram sonhar.

Tomo, por exemplo, a questão do porto. Em sua mensagem de 1908 Benedito Leite expõe sua confiança na realização do porto do Itaqui, confiada à capacidade do engenheiro Manuel Bandeira (o pai do grande poeta). E acrescentava que Afonso Pena, Presidente da República, lhe garantira que só deixaria de construir o Itaqui se fosse impossível. Mais de meio século depois, quando Sarney assumiu o governo, desmanchando pelo voto livre a máquina dos poderosos numa eclosão do povo, tudo ainda era debate: S. Luís, Itaqui? Ele cortou a questão e deixa o Itaqui irreversível, o sonho palpado com as mãos e convertido em realidade.

Antes de ser matéria, a ação foi verbo. Esse verbo fica, nestas páginas, guardado, embora na frieza da palavra impressa. Nada poderá devolver o clima que o cercou. Não era apenas uma revolução, era uma restauração. Retomava-se o fio interrompido para apagar a grotesca solução de continuidade. Mas parecia que, em tantos anos de opressão, treva e mediocridade, o sonho, escondido dentro do chão, germinara e se fizera maior, se desdobrara até os limites do possível, já forçando-os para além da fronteira do imaginável. Grande instante, digno de ser visto e vivido! Como esquecê-lo? No Palácio dos Leões quase em ruína, aquecido da presença da admirável companheira e dos filhos crescendo, e cercado de povo, do povo, este moço — da idade dos astronautas que pisaram pela primeira vez o chão lunar — transformava o destino da sua, da minha, da nossa Província.

Guiava-o a visão fáustica, em que o Goethe da velhice pôs toda a força dos ideais da civilização ocidental, “volúpia de agir e beleza”, salvando o Fausto da desgraça pelo ato de semear, secar o pântano e erguer a cidade. Penso no que T. E. Lawrence escreveu: “Todos os homens sonham: mas não igualmente. Os que sonham noite adentro no poeirento recesso dos seus espíritos acordam de dia para ver que tudo era vaidade; mas os sonhadores do dia são homens perigosos, porque agem seu sonho com os olhos abertos para fazê-lo possível”. Sarney é desses homens perigosos. Felizes os que tivemos a sorte de tê-lo para fazer o sonho possível.

Odylo Costa, filho
*Jornalista, cronista, novelista, poeta brasileiro, e membro da Academia Brasileira de Letras.

 

Capa do livro Governo e Povo

Capa do livro Governo e Povo

 

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