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Semana Sim, Outra Também

Semana Sim, Outra Também*

A primeira medida foi acabar com a camisa-de-força do bipartidarismo. Para estimular e facilitar os militantes confinados ao binômio Governo-Oposição a formarem partidos que representassem suas aspirações ideológicas e programáticas, foram extintos os vigentes Arena e MDB. Só assim surgiram o PP (do trio Tancredo Neves, Magalhães Pinto, Chagas Freitas) e o PT, de Lula, ao lado do PMDB  (que revivia o MDB) e do PDS, para onde foi a maioria da antiga Arena e que ao instalar-se era, segundo seu primeiro presidente, Francelino Pereira, “o maior partido do Ocidente”. Mais tarde haveria o PTB, de Ivete Vargas, e o PDT, de Brizola.

No dia 28 de agosto de 1979, enfrentando uma campanha de incompreensão por parte da Oposição, e que os fatos demonstraram ter sido absolutamente injusta, o Governo conseguiu a aprovação da Lei da Anistia, que permitiu a volta em segurança ao Brasil de exilados de todas as tendências e categorias.

A década de 80 começa com o chamado Segundo Choque do Petróleo, com efeitos profundos sobre a economia, com a inflação se acelerando e prejudicando o processo de abertura. Ao mesmo tempo volta a operar nos quartéis o grupo radical que o ex-Presidente Ernesto Geisel havia reprimido com mão forte, demitindo e cortando a carreira dos mais exaltados. Esses setores militares radicais, inconformados com a democracia, partem para ações criminosas. A explosão da bomba do Riocentro torna-se um marco desse processo e o próprio Presidente Figueiredo, depois de uma reação inicial de condenação a essas ações radicais, dá os primeiros sinais de desengajamento do projeto político de abertura. Ora parece entediado, ora impaciente. Às vezes dá a impressão de profundo desinteresse ou cansaço de governar, chega a um ponto crítico: diz que não gosta de política e detesta os políticos. Declara-se formalmente incapaz de conduzir a própria sucessão, tarefa indispensável para coroar a abertura política.

Nesse momento, Sarney reage à ameaça de retrocesso. Como presidente do PDS e exercendo forte liderança, assume corajosamente os riscos de uma rebelião no partido oficial. A abertura política, iniciada por Geisel 10 anos antes e que já ia tão longe, não resistiria se o poder caísse nas mãos de aventureiros radicais. Neste momento, o político conciliador e moderado mostrará coragem, determinação e ousadia. Volta a ser o lutador destemido que enfrentou e desbancou as oligarquias do Maranhão em 1965. Seus companheiros de rebelião formam a Frente Liberal e indicam para representá-los como vice de Tancredo. Em seguida, o destino o premiará. Em circunstâncias trágicas, torna-se o 30º Presidente do Brasil.

 

*Tereza Cruvinel – Jornalista

Capa do livro Semana sim, outra também

Capa do livro Semana sim, outra também

 

 

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