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Mensagem de Progresso

Em 30-07-1965

Esta é sem dúvida uma data memorável na história política do Maranhão. Pela primeira vez a unidade da Oposição, a unidade que foi sempre do Povo, decide, escolhe, resolve e aponta ao Povo e aos Partidos, não um candidato, mas o próximo Governador de nossa Terra.

Ninguém mais tem dúvida de que a nossa unidade decidiu a vitória e a constrói não somente na amizade e na confiança que hoje nos une a nós dirigentes dos partidos da Oposição, mas, sobretudo, no inarredável conjunto de propósitos que nos mantêm hoje, e não somente hoje, mas amanhã no Governo, unidos na construção de um futuro novo para o Maranhão e para os nossos filhos.

Devo aos Partidos a homenagem da verdade: em todos os contatos que mantivemos jamais encontramos nos dirigentes dos Partidos nenhuma reivindicação de natureza administrativa pessoal, mas todas as reivindicações de natureza pública, para redimir o Maranhão e os maranhenses para a sua grandeza. O Partido Social Progressista, no Maranhão, em todos esses anos de luta, a dura e a difícil luta pelo amanhã, em que muitos tombaram, em que poucos desertaram e que alguns traíram, foi um dos esteios da resistência e a frente, a pilastra da rebeldia, o toque de reunir. Enfim, o PSP foi à palavra, a ação, a força que reuniu e tornou possível esta campanha, esta grande campanha em que todos nós estamos congregados nesta noite. Oposição que não é uma palavra vazia, oposição que não é apenas verbalismo, oposição que não tem medo, mas que tem paciência, que não teme perseguição, mas que exige respeito, oposição aos crimes, oposição ao ódio, oposição aos baixos processos administrativos, à dilapidação do erário público, à desorganização das repartições; oposição ao aviltamento de funcionalismo civil e militar. Oposição à falta de emprego, oposição à falta de saneamento, à falta de esgotos e de água, de energia, de fábricas, de tratores, de arados, de inseticidas, de sementes, de crédito; oposição à falta de assistência social, de asilo à velhice desamparada e assistência à infância desprotegida. Oposição que resume o combate a todos os males, que pode ser resumida em uma única frase: “Oposição ao governo pessimista que aqui semeou a inépcia, o marasmo, a indolência e fez descer o grande manto da tristeza e dos desencantos sobre o território do Maranhão.”

Repúdio à desídia e à miséria

Não queremos mais ser pisados, nem esquecidos, não queremos mais ser destacados na vida nacional pela pobreza e pela miséria. Não mais queremos as mais baixas taxas de mortalidade infantil do País; não mais queremos que um só município do Maranhão tenha mais tuberculosos que todos os tuberculosos da Paraíba. Não queremos mais que as obras do Itaqui, paradas e negociadas, fiquem como estão; não queremos a ponte de São Francisco como, no dizer do poeta José Chagas: “quando a maré vasa a ponte vasa, quando a maré enche a ponte enche.” Não queremos mais as chaminés das nossas fábricas apagando pelos descuidos dos governantes, não as defendendo da inflação nem dos processos da concorrência nacional. Não queremos mais os jovens e as jovens sem horizontes de trabalho; não queremos o Palácio dos Leões, o Palácio do Povo, encastelado na politicagem. Não queremos mais o caciquismo nem o nepotismo, nem o absolutismo, nem o negocismo e nem o carrancismo .

Não queremos mais somente 13 quilômetros de estradas asfaltadas e nem queremos mais a rodovia São Luís-Teresina sem construir, nem sem construir a estrada Peritoró-Pôrto-Franco, nem a Alcântara Maracaçumé, nem a Bacabal-Belém, nem a Barão de Grajaú-Carolina, nem à Carolina-Estreito.

Não queremos mais as nossas estradas fechadas e intransitáveis; não queremos mais ver os altos índices de criminalidade impunes, nem os postos de saúde fechados, nem as nossas reservas minerais escondidas. Nem a nossa lavoura abandonada, nem os nossos comerciantes enfraquecidos; não queremos mais o eleitorado fantasma e fantasmagórico que tem votado e que pega fogo quando o caminhão que conduz os votos transita pelas estradas.

Não queremos mais uma cidade de São Luís, cidade de resistência e do coração do Maranhão, onde os casebres invadem a lama e procuram o mar porque a terra os repeliu, mas queremos uma cidade de São Luís administrada em termos de urbanismo e desenvolvimento.

  1. O querer do Maranhão Novo

O que o povo do Maranhão quer, o que nós queremos é progresso; queremos o porto do Itaqui, sem gorjetas nem intermediários. Queremos o asfaltamento da São Luis-Teresina, queremos a energia de Boa Esperança, queremos as fábricas funcionando, os tratores trabalhando, queremos felicidade para nosso Povo e alegria para nossas crianças. Queremos, enfim, um Maranhão Novo, um Maranhão mais rico, um Maranhão melhor. Queremos um governo de Oposição sabendo que é uma Oposição que não tem vergonha de dizer que é oposição e sabendo que é de oposição, com todas as letras, com todas as ênfases. Governo que não tem medo de dizer que o principal problema do Maranhão ainda é o problema político e que possa dizer que o nosso governo é mesmo um governo de oposição. Oposição ao Governo que é arcaico, ao Governo que é maras­mo, ao Governo que é ganância.

Convencionais do interior, do sertão do litoral, do Munim, do Parnaíba, do ltapicuru, do Gurupi, nós aqui estamos todos para a luta. Há mais de 200 anos um português que passou pelo Maranhão, Simão Estácio da Silveira, teve uma frase em relação a nossa Terra, dizendo: “Das terras que Portugal conquistou, a melhor é o Brasil e o Maranhão é o Brasil melhor.” Nós o achamos assim, nós o consideramos assim através desses 200 anos mais que lá vão da frase daquele navegador. Portanto, o que nós desejamos, nós da União Democrática Nacional, do Partido Social Pro­gressista, do Partido Republicano, constituídos numa unidade, constituídos num bloco monolítico, o que nós desejamos é tornar este Maranhão de esperanças para todos da nossa terra.

Quero concluir com uma palavra de certeza, a certeza de que à bandeira que me entregaram eu não a deixarei cair no campo de luta no dia 31 de janeiro, hei de colocá-la vitoriosa no Palácio dos Leões; esta bandeira que me é entregue pelo Partido Social Progressista, que me foi entregue pelo Partido Republicano, que me está sendo entregue pela União Democrática Nacional, nós e o Povo do Maranhão a desfraldaremos para construirmos um Maranhão Melhor.

 

 

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