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A Arte de Plantar Orquídeas

Aqui estamos, Senhor Presidente, Governadores de todos os Estados da Federação, convocados pelo chamamento de Vossa Excelência para o exame de um assunto, que é o barro do nosso trabalho: a reforma administrativa. Aqui estamos, para avaliar resultados, trocar experiências, estabelecer solidariedade nos procedimentos a cumprir. O nosso objetivo comum é o interesse da Nação, é o cumprimento do dever, que pode ter um nome recente, mas é uma aspiração velha: o desenvolvimento.

Uma das reformas básicas para o desenvolvimento é a modernização da máquina administrativa. O Brasil não pode ser a grande Nação que desejamos, nem aspirar aos índices de progresso que o nosso crescimento demográfico aspira, com uma administração feita à base de rotinas anacrônicas, visão e herança do paternalismo, da clientela eleitoral, corrupção nos despachos e dos orçamentos inviáveis, que meios eram fins, onde se esgotavam os recursos e as aspirações.

Senhor Presidente, todos que aqui estamos, Governadores, representamos um conjunto de vivências: políticas, um caminho de experiências públicas, que concede às nossas vozes, não somente o afeto pessoal, mas uma síntese de momentos coletivos. Hoje, a tarefa de governar volta a ser uma função árdua, difícil, mas sedutora, pelos objetivos a que se destina.

Assim, olhamos em Vossa Excelência o estuário, que recebe as águas do nosso rio, das dificuldades e a responsabilidade de encarnar, de fato e de direito, o poder da Nação. Poder político que não é civil nem militar, que é da Nação naquilo que ela tem do seu passado e do seu futuro, nas mãos do Presidente, símbolo do poder nacional, a que todos devemos colaboração e respeito.

Sabemos que Vossa Excelência o exerce em momentos difíceis, para nós e para o mundo inteiro. Saiam dessas dificuldades o incentivo de vencê-las e o edifício do seu mandato.

A crédito do Governo de Vossa Excelência está uma decisão que é nova na administração brasileira: a conduta do exame do plano estratégico.

É pensamento do seu governo que nenhum plano é viável desde que não obtenha a aprovação do povo. E aí Vossa Excelência submete o planejamento à aprovação da Nação. E o submete pelos instrumentos políticos, institucionais, os Partidos, e nestes, o seu partido.

O desenvolvimento tem fatores psicológicos que não podem ser abandonados. Ninguém pode desenvolver quem não adquire a consciência de que deseja o desenvolvimento e, no Brasil, as nossas prioridades são do tempo e as maiores crises são as crises da impaciência.

Aqui estamos para apoiar e ajudar a V. Exa, vencer esse tempo. O significado desta Semana é bem maior do que qualquer dos seus resultados. Eis, pela palavra do Ministro Hélio Beltrão, é “um instrumento para chegar a algum lugar” e é “um tema nacional em torno do Desenvolvimento”. É mais uma demonstração de que o Governo de V. Exa pensa que as reformas não são estáticas, elas precisam ser dinâmicas. Elas não se resumem em leis, elas têm de ser vividas, participadas, controversas, discutidas, e apoiadas, e negadas porque esse exercício é o caldo da liberdade, direito inalienável, que todos buscamos como aspiração máxima, longe dos totalitarismos de qualquer natureza e com a convicção de que aqui em nossa pátria não existe opção para as botas nem as esteiras dos carros de combate que passaram pelos vales da Eslováquia.

Senhor Presidente, os Governadores dos Estados: do Brasil estão prontos ao seu chamamento e aplaudem o seu equilíbrio, a magistratura moderadora que tem exercido em épocas de tão profundos choques.

Esta Semana de Reforma Administrativa é de demonstração de otimismo do Govêrno de V. Exa. É o Ministro Beltrão reunindo beduínos, em meio a tempestades de areias, pregando, sem cessar, a todos os cantos, em meio do deserto, a necessidade de plantar orquídeas.

Nada mais urgente, Senhor Presidente, neste país, do que esta tarefa de plantar esperanças.

As reformas começadas. A reforma fiscal, de importância transcendental e já implantada, a reforma tributária, instrumento moderno a favor do país, a reforma orgânica dos partidos, a lei contra os abusos do poder econômico, a reforma agrária, colocando a terra a serviço do desenvolvimento, a reforma administrativa, a reforma universitária, dando participação aos moços nas responsabilidades do grande futuro, tudo possível, graças aos instrumentos legais colocados pela Constituição de 67, e o conjunto de leis vindo com o advento da Revolução.

Governar é resistir. Resistir ao pessimismo, ao desânimo, aos interesses parciais. A rotina desse trabalho é a luta do político. E não há tarefa mais alta do que esta da batalha pelo bem público. E Vossa Excelência, Senhor Presidente, é aquele que, pelo desejo da nação, pelo cargo e encargos que exerce, tem o direito de acertar por último.

Esta decisão é a continuidade da sua conduta: a democracia por objetivo, a separação da desordem, da agitação, da subversão, incompatíveis com o direito das reivindicações justas, das expressões legítimas das aspirações altas.

A uns e a outros saiba distinguir. A aqueles com a sua mão forte de Comandante Supremo das Força Armadas que lhe foi dada pela nação, a estes, com a sua visão de estadista, a sua função de Chefe do Poder Executivo, de Magistrado Supremo, Presidente de todos os brasileiros, sem exceção.

A seu lado está a nação, com o seu respeito total. O Brasil não tem problemas paroxísticos. O caos não está em nossa proximidade.

Os nossos problemas, graças a Deus, são adjetivos e não substantivos, e jamais devem ser confundidos.

Mas, é preciso motivar a nação. Esta, a fixação do Governo de V. Exa. Esta, a palavra do Ministro Hélio Beltrão, escudeiro de vossa causa, em resumo, Senhor Presidente, fazer aquilo para que nós Governadores fomos convocados e às suas ordens: Plantar orquídeas, plantar esperanças.

 

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