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A teoria da greve geral

O Brasil está num saudosismo danado e deseja ressuscitar, na prática política, meios há muito mortos. É a famosa volta dos dinossauros. No princípio do século passado, há mais de um século, o comunismo — ou melhor, os teóricos do comunismo — pregava que a maneira de derrubar governos e implantar o marxismo era os operários fazerem uma paralisação geral, imobilizando todo um país, que, assim, sem funcionar, seria uma presa fácil da ditadura do proletariado.

E a moda circulou por todo o mundo, sobretudo pela Europa, berço do pensamento político humano.

A greve foi uma conquista dos trabalhadores, usada desde o princípio da Revolução Industrial (os exemplos da antiguidade tratam de universos muito distintos), num tempo em que a exploração do trabalhador o tornava escravo do trabalho e do patrão. Os menores e as mulheres, com salários mais baixos, eram vítimas das mais cruéis explorações. Com estes excessos foi natural nascer a reação, inclusive contra o lockout — a empresa fechar para obrigar o trabalhador a aceitar trabalhar com salários miseráveis. Se o patrão podia impor suas condições ao empregado, fechando as fábricas, arrancando-lhe o meio de ganhar o seu pão, porque esse não podia também fechar a fábrica, obrigando o patrão a ficar sem ganhar dinheiro, paralisando seu negócio por tempo indeterminado. Eis o nascimento da greve, justa reivindicação por salários e contra a exploração. Depois, com o andar da carruagem, surgiram os sindicatos, que — mais adiante com a força da contribuição sindical — deram aos operários condições de politicamente enfrentar os chamados partidos de massa contra os partidos de quadros. Duverger trata desse tema longamente.

E então a greve passou a ser um instrumento também político. Os partidos ideológicos incorporaram aos seus programas o direito de greve, que deu seus resultados e serviu bastante para o avanço do bem-estar da classe operária. Isso foi no passado. O trabalhador, hoje, com os sindicatos e suas confederações, tem uma força muito grande e não precisa recorrer às greves para obter conquistas.

As convenções coletivas, os direitos constitucionais, a empresa moderna com seu sentido social, tornaram a greve geral anacrônica, que apenas resiste em países subdesenvolvidos e sem instituições fortes. Por outro lado, a diversidade de trabalho fez com que o trabalhador também não tenha interesse em paralisar a empresa.

Daí o fracasso das greves gerais. No meu governo tentaram duas, e ambas fracassaram redondamente. Essa de sexta-feira seguiu o mesmo caminho e resumiu-se a tentar impedir que circulem os meios de transporte, o que revolta o próprio trabalhador, além de criar o medo da violência com os confrontos entre baderneiros e a polícia — também desaparelhada para enfrenta-los por meios democráticos, sem apelar para uma repressão com uso excessivo da força e com brutalidade. O que antigamente eram os piquetes, hoje são os arruaceiros, sem nada que seja trabalhador.

Daí porque, hoje, greve geral fracassa, irrita o trabalhador e atrasa as conquistas trabalhistas.

 

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