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Saudade e Orgulho

Começamos as Olimpíadas em terreno de extremo pessimismo, que vinha desde que fomos escolhidos para esse grande evento do esporte mundial. Somava-se a crise econômica que atravessamos, piorando a cada dia, à crise política, que se arrasta até hoje, cujo lado visível são os bate-bocas que se arrastam na Comissão que no Senado examina a matéria.

Eu mesmo confesso que era dos mais desanimados e desalentados entre os brasileiros sobre como íamos sair dessa. Desde a desconfiança de que as obras físicas, que nos obrigamos a edificar, não ficassem prontas, até da organização dos jogos. Não tinha esperança nas festas de abertura, que em todas as Olimpíadas mundiais dão o tom e, também, o que era pior, tinha a quase certeza de mau desempenho dos nossos atletas, num país onde não existe um planejamento de formação atlética nem existe dinheiro para isso.

A verdade é que, como tudo no Brasil, funcionou a improvisação, graças ao jeitinho e à participação do povo que cultiva a cultura da festa. Para surpresa do mundo todo, começou a ajudar o cenário do Rio de Janeiro, de montanhas que entram pelo mar, das baías que invadem a terra lhe dando contorno, e no alto, o ícone do Cristo Redentor, em meio de granito e matas, a tudo dando o colorido e a beleza que deslumbram todos que o veem. O Rio de Janeiro é uma cidade bela e embelezou de saída a Olimpíada, que passou aos turistas um deslumbramento e ao nosso povo aquilo que faz parte como a bela expressão do nosso país, a alegria. E a Olimpíada que tinha atravessado o caminho do pessimismo terminou num Carnaval debaixo de chuva, com todos participando da festa. O show da abertura já tinha sido deslumbrante em cores e temas, músicas e cores, que foram terminar no show de fechamento, em que todos pediam mais, com vontade de não acabasse nunca.

E para surpresa geral os nossos atletas se esforçaram, tomados de uma força interior e de um sentimento de Pátria capaz de fazer com que esse evento de 2016 no Brasil fosse aquele em que tivemos o melhor desempenho em todos os tempos.

Todos os países se sentiram no dever de apresentar também as suas virtudes e belezas, e fizeram pavilhões e casas cheias de eventos para compor os jogos e também despertar em todos o desejo de visita-los.

Ao final o que ficou como herança? Duas palavras, SAUDADE e ORGULHO. Brasileiros e turistas, sem conhecer essa palavras única, que só existe em nossa língua, cuja melhor definição é: “Saudade é vontade de ver de novo!” Todos tiveram saudade e muitos deixaram lágrimas para lembra-la. Orgulho do Brasil e do povo brasileiro, caloroso e hospitaleiro, pelo sucesso dos Jogos Olímpicos, pela sua beleza, pela sua segurança, pelo respeito ao nosso país. ORGULHO e SAUDADE.

FICAMOS TODOS OLÍMPICOS.

 

José Sarney

 

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