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Sarney: o homem, o político, o escritor

Os 60 anos de vida pública de José Sarney  podem ser vistos na exposição aberta nesta quarta-feira (10)  na Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado.  Políticos, amigos, jornalistas prestigiaram a abertura da mostra, que  por meio de livros, fotografias e textos, revela os momentos mais relevantes do que viu e viveu,  José Sarney.

A exposição, organizada pela Biblioteca do Senado,  foi dividida em três ambientes. No primeiro deles foi retrada a história do menino que nasceu em  Pinheiro, no Maranhão. Filho de Sarney de Araújo Costa e de Kyola França Ferreira, José Sarney desde cedo manifestou interesse pela vida pela vida acadêmica e virou, desde muito jovem frequentador de biblioteca pública, onde lia jornais e obras de literatura – tema que mais o seduz, ao lado da política.

O Político

Na segunda parte da mostra foi retrado “Sarney, O político”.  Depois de ingressar no jornalismo, José Sarney viu crescer o seu interesse pela política. Dessa forma, em 1954, depois do suicídio de Getúlio Vargas, Sarney se elegeu suplente de deputado federal, pelo Partido Social Democrático (PSD). Um ano depois, tomou posse na Câmara Federal. Trocou o seu partido pela UDN. Assumiu uma das vice-lideranças do partido, a partir de 1957.

Aos 35 anos, em 1965, conquistou mais de 60% dos votos válidos e vence a disputa pelo Governo do Maranhão. Renunciou ao governo em 1970 e, no ano seguinte, assumiu uma cadeira no Senado Federal, pelo Maranhão. Participou de debates históricos com Paulo Brossard e Marcos Freire. Em 1979, no primeiro ano do seu segundo mandato, Sarney assumiu a presidência da Arena.  Em 1985, com a morte de Tancredo Neves – que havia vencido a disputa no Colégio Eleitoral – Sarney foi alçado à cadeira de presidente da República. Em junho daquele mesmo ano, ele enviou mensagem ao Congresso, convocando uma Assembleia Nacional Constituinte. A nova Constituição, promulgada por ele em 1988, está em vigor até hoje e ainda mantém o apelido de “Constituição Cidadã”. Outro feito de Sarney na Presidência foi conseguir conduzir sem atropelos o processo de redemocratização do país. Ele também foi responsável pela adoção de diversas políticas sociais, como reforma agrária, previdência rural, vale transporte, assistência médica para todos e seguro desemprego, entre outras.

Após deixar o Palácio do Planalto, Sarney foi eleito senador pelo Amapá, em 1990, e reeleito mais duas vezes: 1998 e 2006. Nesse período, presidiu o Senado Federal e o Congresso Nacional por quatro vezes: 1995 a 1997, 2003 a 2005, 2009 a 2011 e 2011 a 2013. Entre suas iniciativas está a criação do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), do Serviço de Atendimento ao Cidadão Popular (Alô Senado), do sistema de comunicação da Casa (Rádio Senado, Jornal do Senado, TV Senado e Agência Senado) e do Conselho Editorial (a editora do Senado).

O Escritor

Durante o período no qual cursou Direito, na Faculdade de São Luís, José Sarney trabalhou para se sustentar. Ele atuou em vários órgãos de imprensa na capital maranhense. “O Imparcial”, dos Diários Associados, foi um deles. O menino de Pinheiro foi aprovado em uma seleção para repórter do jornal da rede de Assis Chateaubriand e designado para atuar na editoria de polícia. Em pouco tempo foi promovido a editor do suplemento de “Letras e Artes”. No tempo livre, continuou as leituras na biblioteca pública.

Ao mesmo tempo em que escreveu em jornais para se manter, Sarney participou de encontros com amigos na “Movelaria Guanabara”. O grupo debatia literatura e arte. Participavam dele os escritores Bandeira Tribuzzi, Luís Carlos Bello Parga, Carlos Madeira, Antônio Luís de Oliveira, Evandro Sarney, Lago Burnett e Ferreira Gullar; e os pintores Cádmo Silva, Paiva, Figueiredo e Floriano Teixeira. Das reuniões surgiu a revista “A Ilha”. Aos 22 anos, em 1952, Sarney ingressou na Academia Maranhense de Letras, graças à sua atuação a frente do suplemento literário de O Imparcial. Ele presidiu a Academia entre os anos de 1966 e 1969.

A descoberta da poesia moderna de Portugal contribuiu para Sarney descobrir muito cedo o seu lado de poeta. Porém, seu primeiro trabalho publicado, em 1953, foi um ensaio a respeito da pesca de curral. Apenas no ano seguinte ele publicou o livro de poesias “A Canção Inicial”. Durante o período em que governou o Maranhão, lançou o livro de contos, Norte das Águas, no ano de 1969. Retornou à poesia com Os Maribondos de Fogo, publicado em 1978. Depois vieram os romances O dono do mar (1995), Saraminda (2000) e A Duquesa Vale uma Missa (2007). Sexto ocupante da Cadeira nº 38, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1980, na sucessão de José Américo de Almeida.

As crônicas semanais que publica na Folha de São Paulo vêm se transformando em livros desde 1994. Em entrevista ao próprio jornal, em 1998, Sarney explicou como foi dividir a vida entre a política e a literatura. “Como intelectual e político, vivi a angústia entre o ideal e os meios. O intelectual é o homem da justiça absoluta; já o político é aquele que busca a arte do possível com os instrumentos da contingência. Mas quem governa vive s

 

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