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Preto, vermelho e branco

Na semana passada, tive oportunidade de falar de raspão sobre a menina Alanna Ludmila, de 10 anos, que estava desaparecida, do desespero da sua mãe e da comoção dos moradores de Maiobão, no Município de Paço de Lumiar, enquanto não souberam onde estava a criança.

Para a revolta de todos nós e, principalmente, para o sofrimento inapagável de sua mãe, Ludmila estava morta, vítima da monstruosidade do ex-companheiro de sua mãe, que, aproveitando-se da sua ausência de casa, deu vazão a instintos brutais, violentando-a e matando-a. O corpo da menina foi encontrado junto com sua mochila e sua pecinha íntima, interrompida sua vida.

Agora não tem mais direito ao futuro, nem a sonhos, nem a educação, deixando um rastro de saudade e revolta, que não se apagarão jamais de sua família, do povo do bairro, de São Luís e de todo o Maranhão, também atingido por essa brutalidade.

Dois problemas registram o episódio dramático: a morte de uma criança, que nem chegou a ser menina-moça, vítima da violência e da maldade humana; e o outro, a circunstância de encontrar-se sozinha, em virtude de sua mãe, desempregada, ter saído em busca de trabalho.

Se já existia, naquela casa, o vazio da desocupação, que assola o Estado e pune as famílias sem trabalho, surge agora a saudade e a ausência daquele pequeno ser, que trazia alegria e esperança.

Pobre Ludmila! Pobre mãe! Agora só nos resta pedir que a Polícia esclareça tudo e a Justiça faça justiça. Só que, no momento, e nesta semana, alguns policiais se excederam e agrediram moradores do João Paulo e do Coroado, que protestavam contra o abandono das suas ruas, plenas de sujeira e lama, sem esgotamento sanitário.

Devemos ressaltar ainda o fato da agressão ao jornalista Paulo Soares, de O Estado, que estava cumprindo o seu dever de cobrir a reportagem, que, por todos os motivos, registrava fatos já corriqueiros na nossa cidade, do descaso com o povo e sua qualidade de vida.

Já tive oportunidade, algumas vezes, de lamentar a sorte da cidade de São Luís, abandonada e sem prefeitos, que, mergulhados na ambição da reeleição e da politicagem, não pensam no bem público e no seu dever de trabalhar em benefício da população.

O João Paulo sempre foi um bairro marcado pela alegria do São João, pelo encontro dos bois para encerrar a grande festa popular do Maranhão, deixando no ar suas cantigas do cantador. Agora, em face desses episódios, em vez de alegria, é marcado pela pancadaria.

Como está precisando o nosso Estado de paz e do fim da perseguição que move o governador, obcecado pela restauração do comunismo, que, em mais de um século, deixou dezenas de milhões de mortos no desvario do stalinismo!

Não queremos o preto do luto e da violência, nem o vermelho, que é a cor do sangue, de que estão pintando os nossos muros e as placas públicas, e sim o branco da divina paz.

 

José Sarney

 

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