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Não ao Desemprego

Na crise econômica que vive o País surgem muitos dramas pessoais. As 4,1 milhões de empresas que fecharam só em São Paulo foram seguidas de muitos milhares de outras no Brasil inteiro. No Maranhão também, com o fim do ciclo de crescimento que vinha do governo Roseana — chegando a 15% no último ano —, são inúmeros os casos.

Mas o que de mais dramático e trágico se verifica nesse processo é o desemprego. Quando fui Presidente da República minha maior preocupação era não mergulhar o Brasil numa recessão, para evitar a crise do desemprego, que atinge as pessoas e as famílias, gerando fome, desesperança, aumento dos níveis de violência e muitos outros dramas familiares e sociais.

Tenho imenso orgulho de que as menores taxas de desemprego da história do Brasil, desde que começaram a ser registradas, foram alcançadas em meu governo. Basta dizer que em dezembro de 1989 a taxa foi de 2,36%, e durante o Plano Cruzado chegou a 2,16%. A média dos cinco anos foi de 3,86%, que até hoje não foi igualada.

Portanto é com grande apreensão que vejo a taxa de desemprego subir a cada dia e se aprofundar a recessão, que já atingiu no ano passado 3,8% do PIB e este ano o Banco Central já a estima em 3,66% do PIB.

Um amigo meu de Belém do Pará, proprietário de uma rede de supermercados, disse que só ele teve que demitir 2.200 pessoas. No Maranhão, no primeiro trimestre de 2016, mais de dez mil pessoas foram atendidas no Sine-MA. A taxa de desemprego está atualmente em 8,6%. Houve mais de 9 mil pessoas com carteira assinada demitidas e do que admitidas.

Tudo isso causa miséria e fome. Nada pior do que um homem sem trabalho, sem condições de sustentar sua família, procurando de porta em porta, de agência em agência, oportunidade de voltar a trabalhar.

Na Espanha o desemprego atingiu, na pior fase de sua crise, quase 25%, o que determinou uma rebelião popular e acabou com o surgimento de novos partidos e a atual crise estrutural, onde não se consegue formar um governo de maioria. Por outro lado, nos Estados Unidos, o partido democrata tem sua vida facilitada pela baixa taxa de desemprego, que se mantém em 5% nos últimos meses — além, é claro, do medo do Trump.

Entre nós, agora mesmo o governo federal, para permitir a reforma das dívidas dos estados, impõe como condição o compromisso de não contratação do funcionalismo, o que acaba com a esperança de emprego na área estatal.

Em vez de estarmos mais preocupados com slogans políticos, devíamos estar preocupados com o mais importante deles: “Não ao desemprego.”

 

José Sarney

 

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