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Meus mandatos na Presidência do Senado (1ª Parte)

Depois de quatro mandatos de Presidente do Senado Federal, que exerci por delegação e confiança dos senhores senadores, e ao fazer um balanço da administração anual, quero estendê-lo ao conjunto do trabalho que realizei nos oito anos com a parceria de meus companheiros nas diversas Mesas e a colaboração do nosso excelente corpo de funcionários e colaboradores. Desde 1955, por 58 anos, exerço mandatos eletivos. Corria então a 40ª Legislatura; hoje estamos na 54ª. Sou o Senador que por mais tempo serviu à Casa na República, e em termos de mandatos eletivos sou o mais longevo de nossa História. No entanto sempre fiz questão de não ficar parado no tempo ou olhando para o passado — ao contrário, pautei minha gestão por estar voltado para o futuro e a transparência, como dizia Fernando Pessoa, “futuro do passado”.

Quando assumi meu primeiro mandato no Senado, em 1971, juntei-me ao grupo que fundara o Instituto de Pesquisas da Realidade Brasileira. E tendo sido escolhido Presidente da Comissão Executiva, o transformei em Instituto de Pesquisas, Estudos e Assessoria do Congresso — IPEAC, que teve importante papel em trazer para o Parlamento a contribuição de estudos formulados por técnicos e grandes pensadores brasileiros sobre os principais temas de nosso País. Assim, por exemplo, já naquele ano realizamos 2.914 trabalhos especializados.

Em 1973, chegamos a 7.669 contribuições. Era o primeiro esforço para implantarmos uma abordagem que extrapolasse da contribuição individual do parlamentar para um nível, que sempre buscamos, de consistência técnica nos subsídios ao trabalho da instituição, ao mesmo tempo em que fazíamos da Casa um fórum de debates. O IPEAC foi sucedido pela formação do quadro de consultores. Por essa época, no mesmo sentido de aprimoramento institucional, participei, com Nei Braga e Carvalho Pinto, de comissão sobre a implantação de comissão sobre a implantação de centro de processamento de dados no Senado Federal.

Comissão esta surgida do debate que levantei na Casa sobre a necessidade de aderirmos à informatização, quando ainda engatinhava no mundo. Do trabalho desta comissão nasceu a Secretaria de Informação, criada por Petrônio Portella em seu primeiro mandato como Presidente da Casa. Cito esses elementos para destacar como é uma constante de meu pensamento a ideia de que o Parlamento deve abrir caminho entre as instituições, numa demonstração de pioneirismo.

A este respeito quero contar que Mário Henrique Simonsen, um dos nossos conferencistas do IPEAC, quando recebeu o convite para participar do Governo Geisel, encontrou nossos trabalhos na mão do Presidente da República, e com ele discutiu seu programa no Ministério da Fazenda, onde implantaria as ideias que haviam sido debatidas no Congresso Nacional. A minha visão de modernidade aflorou também quando, com a parceria do Presidente Ministro Néri da Silveira, do STF, como Presidente da República, em 1985, chamei-o para fazermos a informatização do processo eleitoral, a começar pelo título, cujo velho modelo era uma reminiscência do início da República.

José Sarney

(Publicado na edição de 15 de setembro do Diário do Amapá)

 

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