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Jomar Moraes

Jomar Moraes foi poeta e cronista, cronista com uma enorme assiduidade nos nossos jornais, mas seu principal interesse foi a cultura maranhense. A essa, além dos estudos sobre personagens da vida e da literatura do estado e suas obras — onde se destacam o Guia de São Luís do Maranhão, o Ana Jansen, rainha do Maranhão, O rei touro e outras lendas maranhenses e a Vida e obra de Antônio Lobo —, dedicou-se como restaurador.

Fez isso sendo editor nos dois sentidos: publicando livros, ora como diretor do Sioge, em 1975-1980, ora pela Universidade Federal do Maranhão, onde foi Diretor de Assuntos Culturais, ora como Secretário de Cultura, ou ainda pela da Academia Maranhense; ou preparando os livros para edição, aqui e ali, onde convocava patrocinadores e patronos. Assim lhe devemos a edição do Dicionário histórico-geográfico da Província do Maranhão, de César Augusto Marques, a que acrescentou centenas de verbetes e ilustrações, além de uma infinidade de notas corrigindo, explicando, complementando. Ou as várias edições de Sousândrade, de quem foi o maior conhecedor, sobretudo com a excelente versão do Guesa no Poesia e Prosa reunidas e com a revisão do volume do Guesa de 2012, ambos pela AML. E a reedição dos quatro volumes das Obras de João Lisboa, sempre necessárias.

Mas seu campo de visão se estendia muito além, nos mais de 50 outros livros que editou, que incluem obras históricas, como a Poranduba Maranhense, de Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres, que registra pela primeira vez a prosódia, o vocabulário e a sintaxe da língua portuguesa falada no Brasil, Maranhão 1908: álbum fotográfico de Gaudêncio Cunha, o grande registro das cidades maranhenses, e especialmente de São Luís, no começo do século passado, O Censor Maranhense, nosso primeiro jornal, ou Relação sumária das cousas do Maranhão, de Simão Estácio da Silveira, mas também autores maranhenses que vão sendo esquecidos, como Graça Aranha, sobre quem escreveu, Joaquim Serra, Antônio Lopes, Vespasiano Ramos e tantos outros.

Jomar dedicou também muito de sua vida à Academia Maranhense, que presidiu por longo período, de 1984 a 2006. Com ele a Casa animou-se, tornou-se cada vez mais presente na vida cultural do Estado.

Trabalhador incansável, sua saúde fragilizou-se nos últimos anos, mas ele não parou. Ainda nas últimas semanas contribuiu para o aniversário da Academia e publicou artigos aqui em O Estado do Maranhão. Foi uma grande figura humana, e deixa uma saudade grande, saudade do escritor e do amigo.

Com Mário Meireles, Jerônimo de Viveiros — o mestre dos mestres — e Carlos Cunha ele era a certeza de que tínhamos essas sentinelas vigilantes como faróis do passado.

Mas Jomar Moraes não era só o historiador. Era o intelectual completo, de grande cultura, que está entre os grandes nomes da literatura maranhense de todos os tempos.

É um vazio difícil de ocupar. Com ele morreu um tempo brilhante da cultura maranhense.

Como dizia Neruda sobre um poeta chileno que morreu: “Foi um grande carvalho que tombou no meio da casa, sem referências nem sombra.”

José Sarney

 

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