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Emocionado, Sarney comemora os 70 anos de criação do Território do Amapá.

Na manhã desta segunda-feira (16), o senador José Sarney (PMDB-AP) discursou na sessão especial do Senado Federal destinada a comemorar os 70 anos de criação do Território do Amapá. Segundo Sarney, que estava licenciado há 54 dias para tratar da saúde, o retorno ao Senado ocorre, com grande satisfação, em data tão significativa na qual se comemora a criação do Território do Amapá.

Sarney-AMAPA

“Este é um dia de alegria para todos nós. Eu não podia deixar de juntar-me a essa alegria, senão nem eu mesmo entenderia minha ausência. Este é o meu dever, estar presente nesta ocasião, em que nós nos juntamos ao povo do Amapá e ao povo brasileiro para comemorar os 70 anos de criação daquele Território”, afirmou Sarney.

José Sarney lembrou ainda que escreveu duas obras dedicadas ao Estado do Amapá: “Saraminda”, romance que liga a paisagem do Amapá à literatura brasileira e foi traduzido em sete línguas, sendo a mais recente o alemão; e “Amapá: A terra onde o Brasil começa”, que conta a história da criação do Estado e está na 3ª edição.

Linhão de Tucuruí

Linhao-do-Tucurui

Durante o discurso de comemoração dos 70 anos de criação do Território do Amapá, o senador José Sarney (PMDB-AP) comemorou a chegada do Linhão de Tucuruí ao Amapá.

“Quero ressaltar um fato que acontece este ano, no qual comemoramos os 70 anos de criação do território do Amapá. Fato próprio do povo brasileiro, que é a chagada à Macapá do Linhão de Tucuruí. Uma rede responsável por integrar todo o sistema elétrico nacional num só conjunto. Trata-se de uma obra extraordinária, tão importante quanto a construção da rodovia Belém/Brasília, durante o Governo de Juscelino Kubistchek. A obra do linhão rasga a floresta Amazônica com torres de transmissão que atravessam o Rio Amazonas e cruzam a floresta por cima para preservar a mata. Duas das torres chegam a 295 metros de altura”.

Os primeiros estudos para integrar os sistemas de produção de energia elétrica do Amazonas, do Amapá e do Tucuruí foram encomendados à Eletronorte pelo então presidente José Sarney. “O Amapá e o Amazonas tinham sistemas de produção energética isolados. Eu me recordo que foi uma luta grande que tivemos, quando eu, como Presidente da República, determinei que fossem feitos os primeiros estudos para a ligação dos sistemas elétricos do Amapá, do Amazonas e do Tucuruí ao sistema elétrico brasileiro”, lembrou Sarney.

Sarney destacou ainda a preocupação que teve em passar a linha de integração dos sistemas elétricos pela margem esquerda do Rio Amazonas para beneficiar a população de Macapá. “A presidente Dilma Rousseff, que na época era ministra de Minas e Energia, nos deu uma decisão extraordinária. Dilma autorizou a construção da linha de transmissão pela margem esquerda do Rio Amazonas. E com isso pudemos beneficiar a população de Macapá que recebe a linha de transmissão no mesmo ano da comemoração dos 70 anos de criação do Território do Amapá”, destacou Sarney.

A linha de Transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus vai permitir a integração dos estados do Amazonas, Amapá e do oeste do Pará ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com aproximadamente 1.800 quilômetros de extensão total em tensões de 500 e 230 kV em circuito duplo, passará por trechos de florestas e vai atravessar o Rio Amazonas.

Além de interligar sistemas isolados do extremo norte, a nova linha vai diminuir o custo com geração termelétrica. A conclusão da obra vai possibilitar ao País uma economia de R$ 2 bilhões por ano. Com isso, o cálculo é de que a linha se pagará em pouco mais de um ano e o fornecimento predominante será de energia limpa e renovável. Com o fim do uso de combustível fóssil, cerca de 3 milhões de toneladas de carbono deixarão de ser lançados na atmosfera.

Declaração de amor ao Amapá

Ao final do discurso, emocionado, Sarney fez uma declaração de amor ao Estado do Amapá.

“Quero terminar este discurso com uma declaração de amor ao Estado do Amapá.

Não posso deixar de falar nas belezas e nas riquezas do Amapá. Este é um dos estados mais belos do Brasil. O vale do Aporema, os campos do Curiaú, a região dos lagos, lugares que são mais belos que o Pantanal. Outrora, dizia La Condamine, se navegava de lago em lago, ao longo da costa.

São planícies, são campos, são selvas. São rios, que serpenteiam entre barrancas e pássaros. São os imensos vales. Depois do Jari, vêm os do Cajari, Maracá, Preto, onde se formam grandes baixadas sobrevoadas por nuvens de garças, jaçanãs, patos, marrecas e todos os pássaros amazônicos. Aí, nos seus confins, a natureza muda. Dos campos começa a selva virgem, compacta, impenetrável, subindo os primeiros elevados e sem limites visíveis ela se estende além do Tumucumaque onde ainda não se sabe o que é a Guiana, o Suriname e o Brasil.

Parece que ali, o mistério do homem ainda existe no verde, apenas quebrado pelas cores roxas, brancas e amarelas, em copas imensas, que mostram a morada da andiroba, do pau d’arco, da ucuuba, das castanheiras, do angico, da aquariquara, do acapu, da cuiuba, da acaporana, da acacaúba, da maçaranduba, do pau amarelo e de tantas essências.

Mais para a costa atlântica a mata vai desaparecendo e o paraíso vai surgindo. É o arquipélago do Bailique, com suas ilhas em roda, do Curuá, do Marinheiro. Acima, o Araguari, com os campos do Aporema, o Tartarugal e seu afluente, o Tartarugalzinho, que desaguam no Duas Bocas, o Eusébio e tantos outros.

Tudo é água e terra. É o primeiro dia da Criação, a terra se separando das águas.

Vem, mais acima, uma das mais belas regiões da face da terra, diferente e bela, onde os campos estão no céu, misturados ao horizonte: é a região dos lagos. O Comprido, o Lago Novo, o Duas Bocas. São baixadas e alagados: Reserva do Piratuba, o Calçoene, o Amapá Grande, o Cunani, o Cassiporé, o Parque Nacional do Cabo Orange. É um mundão de águas, em rios e lagos. São campos em flores, são nuvens de pássaros, são peixes de todas as espécies, terreno do tucunaré, do pirarucu, do dourado, do filhote, do apaiari, do gurijuba, do trairão, do trairuçu, do acará…

E aí surge, como símbolo do Estado sua capital, Macapá. Simples como uma bela moça morena dos tucujús, espraia-se, plana, vigiando dia e noite o desaguar deste lado do Amazonas. Ela tem os ventos que vêm do grande mar oceano, brisa que lhe acaricia o corpo e os cabelos compridos. Macapá, moça morena de lábios de sol e olhos de chuva. É a capital dos vastos territórios que daqui só terminam nas barrancas do Oiapoque, passando por rios, lagos, campos, florestas, chapadas, riachos e montanhas.

A paisagem humana de sua gente, no seu falar cantado, descendo e subindo sempre nos barcos, rio vai e rio vem, em demanda das ilhas ou dos pequenos portos, povo ribeirinho que passa o tempo navegando.

Amapá, misto de ternura e bondade, gente boa, raça forte.

Felicidades ao povo amapaense e à sua história.”

Veja o discurso

 

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