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Às Moscas

Pesquisa da consultoria Macroplan identificou São Luís como a 16ª pior cidade entre as 100 maiores cidades brasileiras. Contribuem para isso a violência, a sujeira, e o abandono do Centro Histórico, este representado pela fuga de turistas e pela atenção da fiscalização da Unesco, de olho nos compromissos que assumimos de manter as características da cidade, maior conjunto arquitetônico colonial português no mundo.

São Luís era, em 2005, a 42ª pior cidade; nestes 12 anos avançou 27 posições para pior. Diz a pesquisa: em transparência é uma das mais problemáticas capitais do país. Sua receita depende em 49% de transferências intergovernamentais; 2,6% é o que sobra dela para investimentos, depois do pagamento de pessoal e da amortização da dívida. Embora o gasto em educação seja relativamente elevado, sua combinação com o resultado do IDEB do ensino fundamental o coloca mal no gráfico.

Em educação, estava na 75ª colocação, subiu para a 43ª pior; em infraestrutura e sustentabilidade, da 34ª para a 19ª pior; em saúde, da 39ª para a 10ª pior. E o pior dos piores: em segurança, passou da 52ª colocação para ser a segunda pior cidade do Brasil em termos de violência. Só em Ananindeua, no Pará, o desastre é maior. Nossa taxa de homicídio está em 90,7 mortos por 100 mil habitantes, mais de três vezes maior do que a já catastrófica taxa do Brasil.

Isso é visível no medo que já deixou de ser uma sensação íntima para se exteriorizar nas faces, das pessoas e dos prédios: sejam casas ou comércios, todos precisam colocar grades e arames farpados na vã tentativa de escapar.

O que os números não mentem jamais se reflete no desencanto de todos com os tempos que vivemos. E não me venham culpar por isso, pois há trinta anos a Capital é governada pela antiga oposição, hoje governo comunista, e já que inexplicavelmente o povo reelegeu o seu Prefeito.

Às moscas estamos, quando não estamos comendo moscas. Sempre adverti para o descaso com nossa cidade: se não fossem as obras estruturais feitas pelos governos meu e da Roseana, estava um caos de fazer gosto. Bastaria retirar de São Luís a ponte do São Francisco, a cidade que ali se ergueu, seus viadutos e suas avenidas que ainda asseguram uma circulação de veículos, e o que restaria da cidade atual? Recentemente, antes de deixar o Governo, Roseana inaugurou a Avenida do 4º. Centenário e a Via Expressa, obras definidoras de uma melhoria viária. O que seria de São Luís se não tivesse eu feito a cidade nova, que é a única modernidade que temos? E a Prefeitura o que fez nesses anos? Digam uma só obra digna de uma cidade como a nossa. E o governo atual onde colocou um prego numa barra de sabão nestes dois anos? A maior obra foi negativa para o povo: acabou com a Exposição Agropecuária, com o carnaval, com o São João — e pintou a cerca do Estádio de vermelho!

Escrevo com tristeza e não com júbilo pelo que cabe aos meus cruéis adversários, que tanto de injustiça fizeram comigo.

Pensem, estudem, aprofundem a análise desses números e vamos pedir perdão pelo abandono da bela cidade dos sonhos de La Ravardiére.

 

Jose Sarney

 

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