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Acervo da Fundação José Sarney é doado para Fundação da Memória Republicana

acervo sarneyCom mais de 40 mil itens, entre documentos históricos e de grande valor intelectual, objetos de arte e obras literárias raras, o acervo da Fundação José Sarney foi completamente doado ao Governo do Estado do Maranhão e formará o patrimônio da Fundação da Memória Republicana Brasileira. A coleção conta uma parte importante da história política do Brasil, os anos de 1985 a 1990, que se caracterizou pela consolidação da democracia brasileira, além de registrar diversos episódios que ajudaram a construir a república brasileira.

Todo o acervo, dividido em biblioteca, arquivo textual, centro audiovisual e museu, vem sendo acumulado há quase sete décadas pelo senador José Sarney. A partir de 1985, quando assumiu a presidência da república, todo o patrimônio passou a ser organizado com o objetivo de guardar informações sobre a vida do político e do Brasil, constituindo um centro cultural de relevância nacional para intelectuais, pesquisadores e curiosos.

Documentos

Documentos – O arquivo textual abriga um dos maiores centros de documentação do país. São textos manuscritos e datilografados, recortes de jornais e cartas enviadas por populares. Há também uma carta escrita por dona Kiola de Araújo Costa para o filho, José Sarney. Cartazes, diplomas, mapas, partituras, ofícios, cópias de pautas dos principais despachos com ministros, assessores, reuniões ministeriais, correspondência pessoal, de colaboradores e terceiros, agenda presidencial, charges publicadas por jornais de todo o Brasil sobre o seu mandato presidencial e outros documentos que compõem os bastidores da história política do país fazem parte do arquivo.

Entre esses documentos, os autos do processo de Impeachement contra o presidente Fernando Collor, em 1992, publicado pelo Senado Federal. Há também programas de viagens, originais de discursos, documentos eleitorais, cartões de felicitações de datas como Natal e Dia dos Pais, e documentos anteriores ao exercício da presidência, quando José Sarney exerceu os cargos de deputado federal, governador, senador, presidente da Aliança Renovadora Nacional (Arena), do Partido Social Democrático (PDS), membro da Frente Liberal e da Aliança Democrática. Um recorte da história do Maranhão e do Brasil.

Áudio e Vídeo

Áudio e vídeo – Todo esse acervo documental é complementado por um conjunto audiovisual que inclui imagens feitas desde a década de 1950. São filmes e reportagens sobre os governos Nunes Freire e Pedro Neiva de Santana, gravados em filmes de 16 e 35 milímetros, além de registros fotográficos e negativos, slides, álbuns fotográficos, registros em fitas cassete e VHS. Os registros do cotidiano das atividades desempenhadas pelo presidente Sarney, incluindo audiências e os mais diversos eventos oficiais como a assinatura de acordos, lançamento de planos de governo e encontro com chefes de estados estão gravados em fitas U-matic.

A posse de José Sarney no governo do Maranhão, em 1965, está documentada no filme Maranhão 66, dirigido por Glauber Rocha que mesclava cenas da posse com cenas do povo maranhense. O Milagre do Maranhão, um fragmento cinematográfico feito pelo cineasta romeno Isaac Rozenberg, que traça um perfil do governo do Maranhão e das grandes realizadas nesta época. Os dois filmes são alguns dos itens mais importantes do acervo audiovisual que inclui ainda coletâneas em LP de artistas como Tom Jobim, Vinícius de Moraes e as Nove Sinfonias de Beethoven pela Orquestra Sinfônica de Berlim.

Esse conjunto reúne ainda entrevistas concedidas a programas como Bom Dia Brasil, Roda Viva, Ao pé do rádio e sátiras feitas por programas como Viva o gordo e Programa Silvio Santos. Mensagens ao povo brasileiro em datas como o Natal e Dia dos Pais, pronunciamentos diversos, posse de ministros, solenidades militares, viagens de Marly Sarney, esposa de José Sarney, viagens internacionais e nacionais como chefe de estado e momentos da vida pessoal ao lado da família também estão nos arquivos da fundação.

Biblioteca

Biblioteca – Alguns dos itens mais raros e emotivos do acervo cultural da Fundação compõem a Biblioteca Padre Antônio Vieira. Além de documentos, livros, folhetos, fascículos, periódicos, edições novas estrangeiras e obras literárias do escritos José Sarney integram as prateleiras das estantes da biblioteca. Entre as preciosidades do acervo, uma obra de Maquiavel datada de 1560, textos do Padre Antônio Vieira, a primeira edição de Espumas Flutuantes, de Castro Alves, e de O francesismo, de Eça de Queiroz, textos de Coelho Neto e outros autores maranhenses. Algumas dessas obras, que fazem parte do acervo pessoal de José Sarney, estavam guardadas com o senador, sendo reintegradas à biblioteca quando da abertura da Fundação da Memória Republicana Brasileira.

Diversos outros títulos da literatura maranhense, brasileira e internacional e vasta bibliografia das ciências jurídicas, sociais e políticas também serão colocadas à disposição dos estudiosos como uma análise da Constituição Brasileira de 1934, promulgada pela Assembleia Constituinte no primeiro governo de Getúlio Vargas. A biblioteca guarda ainda a coleção Leis do Brasil com o registro de todas as leis editadas no país desde 1808, quando a família real portuguesa mudou-se para o país, até os dias atuais.

Museu

Museu – Obras de arte, objetos decorativos e da vida política e familiar de José Sarney, um conjunto de arte sacra, pinturas, esculturas e peças históricas compõem o acervo do museu da fundação. Entre as peças, quadros de autores como Siron Franco, Carlos Brecher, Carlos Sciliar e Dila. Placas, medalhas, insígnias, gravuras, maquetes, condecorações, moedas, cédulas, selos, xilogravuras, pirogravuras, chaves de diversas cidades do mundo, coleção de pedras preciosas e elementos de diversas regiões brasileiras compõem o patrimônio cultural do museu.

Destacam-se peças como a medalha concedida em 1989, ao presidente Sarney, em visita ao Peru, que lhe concedeu o grau de Grã Cruz da Ordem El Sol Del Peru e a medalha de condecoração ofertada a ele em 1986, pelo então presidente da Venezuela, Jaime Lusinchi, pelo Bicentenário do Nascimento de Bolívar. Miniaturas do primeiro carro produzido pela FIAT e do 14-Bis, de Santos Dumont, também estão em exposição.

O bumba meu boi, representado em objetos como chapéus, bois, maracás e diversos itens que remetem à cultura popular maranhense integram o acervo guardado na sala do curador, com acesso restrito. Uma carabina, peça que pertenceu ao tetravô de José Sarney, e outros objetos familiares, como presentes ofertados a Marly Sarney também pertencem à coleção que preserva a memória afetiva e política do povo maranhense e da história brasileira.

10 itens raros doados à Fundação da Memória Republicana Brasileira

– Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, editado em 1837. O título é o mais antigo da coleção e sua publicação em francês o torna ainda mais raro.

– Os Sermões, de Padre Antônio Vieira. A obra completa é composta por uma coleção de 13 volumes editados em 1908.

– Divina Comédia, de Dante Alighieri, a edição data de 1918.

– História do Maranhão, de Antônio Lobo, publicado em 1901, é um dos primeiros compêndios sobre a história social e política do estado.

– O Coronel Luiz Alves de Lima e Silva no Maranhão (fevereiro de 1840 a maio de 1841, de Jerônimo de Viveiros, conta como foi a estada do militar no estado durante a Balaiada.

– Cópia em VHS do filme Maranhão 66, de Glauber Rocha, que registra posse de Sarney no governo do Maranhão. Os originais, em filmes de 16 milímetros foram doados ao Arquivo Nacional em 2005, pois o salitre, por causa da proximidade da Fundação com o mar, representava risco à conservação do longa-metragem.

– LPs com a coletânea da obra de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, de 1987, que integravam o acervo pessoal do senador foram doados à fundação que entendeu que os discos contam parte da história musical do povo brasileiro.

– As Tradições de Coimbras, conjunto de cinco medalhas ofertadas pelo reitor da Universidade de Coimbra em maio de 1986 ao presidente José Sarney.

– Cabeça da Serenidade, feita em bronze em 1926 pelo artista plástico holandês Cornelis Zitman, é uma das favoritas de José Sarney, que a recebeu do embaixador Simon Alberto Consalvi, da Venezuela.

– Ânfora, a peça do Império Romano datada de 63 a.C. – 330 d.C., atribuída ao período Herodiano, é uma obra rara em todo o mundo e de grande valor histórico, foi ofertada em 1987, ao presidente da república pelo primeiro-ministro israelense, Shimon Peres.

 

Fonte: O Estado do Maranhão

 

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