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A Eternidade

Quando muda o Calendário, a gente é levado a pensar quando começou a contagem dos anos. Houve no passado muita especulação de quantos anos tinha o mundo.
O livro do Gênesis, que conta a história da Criação, é um dos mais belos poemas escritos pelo homem, mas ele não se aventurou a dizer quando Deus resolveu fazer a Terra e o homem para dominá-la. Disse apenas que o “espírito de Deus se movia sobre as águas”.
Hoje nós, cristãos, e o mundo inteiro adotamos o calendário gregoriano, do Papa Gregório XIII, que foi autorizado pelo Concílio de Trento a alterar o calendário antigo. Desde Numa Pompílio, o calendário romano tinha um ano de 355 dias alternado com um ano de 377 dias aumentado de um mensis intercalaris. Era função do pontifex maximus acrescentar determinar quando era intercalado esse mês. Júlio César, pontífice máximo desde 63 a.C., encontrou uma grande confusão no calendário, que estava inteiramente descompassado das estações por negligência dos seus antecessores e substitutos. Assim, em 46 a.C. — o ano 708 AUC (da fundação de Roma) —, ele estabeleceu o calendário juliano de 365 dias com o quarto ano bissexto, medida que aprendera no Egito. Para acertar o passo ele fez esse ano ter 445 dias.
Como o ano solar não é de 365 dias e 6 horas, mas de 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, persistia um erro, que o calendário gregoriano corrigiu eliminando os anos bissextos divisíveis por 100, exceto se forem divisíveis por 400. Complicado, não? Restou uma falha em relação ao ano astrológico, que necessitará de um dia de correção a cada 3.323 anos.
Para acertar os dias que tinham sido acrescentados a mais, a entrada em vigor do calendário gregoriano eliminou 11 dias, pulando de 4 para 15 de outubro de 1582. Era a época da Reforma, e os países protestantes não aceitaram a mudança, e só foram aderindo aos poucos — a Grécia em 1923 — de modo que as datações europeias dos anos seguintes ficaram bastante confusas.
A contagem dos anos no nascimento de Cristo começou a partir de 525. Até lá, no império romano, que dominava a Europa, contava-se, em geral, a partir da ascensão de cada imperador. Ainda outro motivo de confusão era que cada país começava o ano numa data diferente: janeiro, março, Páscoa, Natal etc.
Podia falar de muitos calendários, cada povo teve o seu. O maia era complicado e tinha várias contagens. Uma destas, a “longa”, reiniciou em 2012, o que originou uma leitura de que o mundo ia acabar. Essa é uma expectativa que acontece a cada data mais redonda ou por outros pretextos.
Em São Bento até hoje lembro o medo do mundo acabar, quando deram uma data para isso. A cidade inteira ficou em polvorosa esperando o dia. O antídoto era fazer atrás das portas cruzes de carvão. Todas as casas as fizeram. Na data marcada eu não largava minha mãe, agarrado em sua saia, para que acabássemos juntos. Na véspera eu não dormi. E o mundo não acabou!
O único a não acreditar foi o sacristão da Igreja de São Bento, Pituca, que era gago, e saía pela rua dizendo: “O Senhor São Bento não vai deixar o mundo acabar. Reze para ele. O mundo só vai acabar quando o sol secar.” Ele foi o antecessor da ciência moderna, que prevê o fim da “sequência principal” do sol para daqui a 5,4 bilhões de anos, quando se converterá numa estrela gigante vermelha, e chegará o fim da Terra. Mas surgirão outros mundos e a Eternidade irá em frente.
Acostumei-me com a notícia de que o mundo vai acabar. Enquanto isso não acontece, vamos saudar 2015, com muitas esperanças e felicidades ao povo maranhense. E salve o profeta Pituca!

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