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A Capela das Laranjeiras e Engels

Para quem ama o Maranhão e conhece sua história há uma grande notícia: a conclusão da nova restauração da Capela de São José das Laranjeiras, construída em 1811. A Quinta das Laranjeiras, hoje Quinta do Barão, pertenceu ao morgado instituído por José Gonçalves da Silva, cognominado o Barateiro, homem mais rico do Maranhão, que tornara a capela um ponto de referência e lugar de cultos da população católica de São Luís.

A Quinta perdeu o nome para Quinta do Barão porque este teve uma filha casada com o 2º Barão de Bagé, Paulo José da Silva Gama (segundo com esse nome porque seu pai também era Barão de Bagé), e a Quinta tomou como nome o seu título — e ficou como “do Barão”.

O Barateiro era tão rico que ajudou o Governo da Rainha D. Maria I na guerra contra a Espanha, no fim do século 18, com farinha, arroz e dinheiro. Formou o hábito de doador da Coroa, contribuindo constantemente com capital ou suprimentos. Ajudava ainda, diretamente, às capitanias do Maranhão, do Ceará e do Pará. Era um benemérito da Pátria e muito respeitado e popular em nossa capital.

Quando tinha dezesseis anos entrei para O Imparcial porque ganhei, com uma reportagem sobre os subterrâneos de São Luís e com outra sobre a Quinta do Barão, o concurso estabelecido por aquele jornal para contratar repórteres. Tirei o 1º lugar.

Por isso mesmo o Chateaubriand, sempre que falava comigo, dizia: “Você foi o único empregado meu que entrou por concurso.”

Fiquei feliz quando li a notícia da restauração da Capela, no dia 19, dia do meu Santo, S. José.

Lembrei-me do maior comerciante e capitalista do Maranhão na passagem do século 18 para o século 19, o Barateiro, e da inauguração da Capela, para refletir como é a história: hoje, somos governados pelo comunismo, justamente a doutrina que dizia ser contra a propriedade e contra a religião. São José deve estar com lágrimas nos olhos, e o Barateiro retorcido na sepultura.

Mas estão ajuizadas pelo governo atual 22.000 ações de cobrança de impostos, aumentados justamente agora pelo governo comunista, na velha tese de que os comerciantes e os proprietários são exploradores do povo. Comunicou que não receberia no Palácio nem os empreiteiros nem aqueles que fossem tidos como agiotas; e assim justificou não receber o Dedé, o maior financiador de sua campanha.

Engels foi o maior financiador de Marx, que o sustentou durante toda a vida, e alguns biógrafos dizem mesmo que Marx não teria concluído O Capital, sua obra fundamental, se Engels não tivesse ameaçado cortar-lhe o soldo se não mandasse os originais do livro. Engels, riquíssimo, filho de grande empresário, financiava o criador da teoria comunista; e o Barateiro dava dinheiro para a Coroa acabar com as guerras.

Enquanto isso, quando tudo cai no Maranhão, emprego, PIB, salários da educação — uma coisa sobe muito, e o Prefeito diz não poder aguentar tanto crescimento: “O lixo jogado nas ruas de São Luís, segundo a Prefeitura, já chega às 300 toneladas por dia.”

 

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