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O presente de Melina

A artista plástica Melina Pedroso Silva, de 28 anos, fez com que o presidente do Senado, José Sarney, se emocionasse na manhã desta quarta-feira, 21 de março. Por vários motivos. Pela pintura de cores vibrantes que recebeu com a imagem do Congresso Nacional. Pela identidade de hobbies. E pela lembrança de entes queridos.

 

 

O dia de hoje – 21/3 – é em todo o mundo dedicado aos nascidos com trissomia do cromossoma 21 – um distúrbio genético natural e universal em todas as raças e classes sociais.

Para Melina, que tem a Síndrome de Down, a pintura não é somente um hobby, mas o pilar de sustentação de sua crescente auto-estima e fortalecimento de sua espiritualidade. Essa atividade artística, iniciada despretensiosamente por Melina, há cerca de 8 anos, abriu-lhe muitas portas, entre elas o mercado de trabalho. Para Sarney, com mais de 50 anos dedicados à vida política, principalmente ao Congresso Nacional, a pintura é um hobby para as poucas horas de lazer.

Mas a emoção de Sarney foi ainda mais intensa quando lembrou, ao agradecer o presente de Melina, o primeiro contato com a síndrome. O presidente relatou que seu avô materno, Assuéro Ferreira, ao se mudar para o Maranhão levou consigo, ainda meninos, quatro irmãos de sua mãe Kiola: seu tio Albérico, além de três outros – Manoelito, Jofre e Luís Puckiola – todos esses com Down.

Durante a cerimônia, realizada no Salão Negro do Congresso, Sarney lembrou ainda que, quando ocupou a Presidência da República, criou a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), que foi entregue a Teresa Costa d’Amaral, responsável, na Casa Civil, pela elaboração de um projeto que deu amparo aos acometidos com deficiências. Dessa forma, a Corde preparou um projeto de lei, que se transformou na Lei 7.853/89, que é ainda hoje um modelo para o setor.

“Nossa ideia e nosso desejo era que tivéssemos um órgão encarregado da ação interministerial, pois o problema das pessoas com deficiência perpassa todos os setores da sociedade e do Estado. Entre os problemas tratados pela Corde avultava o da síndrome de Down, a trissomia 21. Era e é preciso superar o preconceito dos testes de inteligência que apresentam uma parte da população como inferior a outra. Os deficientes começavam assim a ter uma voz na ação interministerial”, ressaltou Sarney.

“Basta compará-la com a moderna Convenção da ONU para ver que o Brasil se antecipou em matéria de legislação”, disse ainda o presidente do Senado.

A Síndrome de Down, é uma condição genética conhecida há mais de um século, e que foi descrita por John Langdon Down. Decorre de um acidente genético que ocorre em média em 1 a cada 800 nascimentos, aumentando a incidência com o aumento da idade materna. Atualmente, é considerada a alteração genética mais frequente em todo o mundo.

 

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