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A hora da reforma política

Por José Sarney.

Há mais de dez anos que o tema da reforma política aparece como necessidade para o país. Crescemos economicamente, políticas sociais implementaram mudanças que trouxeram uma nova realidade para o país, mas no plano político, estamos estagnados. Mudar o sistema eleitoral se tornou um desafio, do qual muitos políticos têm receio.

O voto proporcional uninominal, em que o eleitor vota num candidato é um modelo superado. A falta de relação entre eleitores e partidos políticos enfraquece a democracia. Poucos dias depois de uma eleição, ninguém sabe em quem votou.

No próximo dia 21 de março, o Senado fará uma sessão exclusiva para votar os temas da reforma política como: financiamento público de campanha, a exigência de referendo para alteração no sistema eleitoral do País, a mudança na data de posse de presidente da República, governadores e prefeitos, além de novas regras para as coligações partidárias. É uma oportunidade para o início de uma mudança.

Realizar a reforma política é um dos passos para fortalecer o Legislativo, um poder heterogêneo como o povo brasileiro porque retrata os diferentes segmentos e interesses da sociedade. Não estamos em uma corte de sábios ou santos. Muitas vezes a opinião pública, por meio de seus canais de expressão, nos submete a julgamentos que priorizam e ampliam a visão dos problemas da instituição e não a sua importância para a Nação. É um fenômeno mundial, já hoje detectado como a crise da democracia representativa.

Precisamos chegar a um modelo em que o eleitor se sinta vinculado ao eleito — e este, naturalmente, conheça e respeite seu eleitor —, em que as forças econômicas e corporativas tenham sua influência reduzida, em que os partidos possam se consolidar com a prática da democracia interna e tenham princípios programáticos, reduzindo-se o seu número para que se formem maiorias estáveis e politicamente coesas.

Apesar de ser um ano de eleições municipais, espero que Senado e Câmara finalmente vençam as barreiras e acenem ao país com uma estrutura política mais moderna e que acima de interesses partidários, fortaleça o voto do eleitor.

 

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